- A ideia de armazenar dados em vidro surgiu há cerca de 27 anos, com Peter Kazansky, na Universidade de Kyoto, após experimentos com lasers ultrarrápidos que criaram fissuras no vidro em vez de apenas refletir a luz.
- Dados seriam gravados em estruturas microscópicas, os voxels, permitindo armazenamento em cinco dimensões e leitura por microscópio óptico especializado, com potencial para até 360 terabytes em um disco de vidro de 5 polegadas.
- Além da maior capacidade, os cristais de memória consomem energia apenas na escrita, diferente de data centers que consomem energia contínua para manter os dados.
- Em fevereiro de 2026, a Microsoft divulgou, na revista Nature, armazenamento em vidro de borossilicato, destacando o custo mais baixo do vidro, porém com necessidade de acondicionamento seguro para evitar quebras.
- A SPhotonix, criada em 2024 por Kazansky e seu filho, levantou US$ 4,5 milhões em financiamento e pretende testar protótipos com empresas parceiras nos próximos dois anos, como alternativa a métodos atuais de armazenamento, incluindo DNA.
A descoberta sobre cristais de memória, feita há cerca de 27 anos, surge como uma possível solução para o armazenamento massivo de dados. Pequenos discos de vidro poderiam suportar até 360 terabytes, segundo estudos e avanços recentes. A leitura é feita por meio de um microscópio óptico que interpreta estruturas memorizadas no vidro.
Os dados seriam gravados em voxels, estruturas microscópicas tridimensionais, permitindo cinco dimensões de informação. Essa abordagem prometia maior densidade e menor consumo energético, já que a energia é necessária apenas no processo de escrita. A principal crítica envolve a fragilidade do vidro.
Como funciona a tecnologia
O vidro utilizado é borossilicato, semelhante ao vidro de utensílios domésticos. Dados aparecem como redemoinhos de luz provocados por lasers ultrarrápidos, gravados em microestruturas internas. A leitura utiliza óptica para converter variações de luz em sinais digitais.
Em comparação aos métodos atuais, esse sistema apresenta maior capacidade por disco e menor consumo energético em operação contínua. A disponibilidade de vidro a baixo custo aumenta a viabilidade econômica, desde que haja proteção adequada para evitar quebras.
Perspectivas e contexto
A adoção depende de testes em larga escala e de custos de produção. Dados indicam que, até 2028, a demanda global por armazenamento tende a crescer rapidamente, impulsionada pela geração de informações pela internet e pela IA. A tecnologia em vidro busca reduzir a necessidade de energia dos data centers.
A trajetória começou no Japão, na Universidade de Kyoto, em 1999, com a equipe de Peter Kazansky. Experimentos com lasers femtossegundos revelaram fissuras ocultas no vidro, abrindo a porta para o conceito de escrita óptica em materiais transparentes.
Avanços comerciais recentes
Em fevereiro de 2026, a Microsoft publicou na Nature resultados sobre armazenamento em vidro de borossilicato. A empresa destacou custo menor do vidro como vantagem econômica, embora ressalte a necessidade de recipientes resistentes para evitar quebras.
Kazansky, junto ao filho, criou a SPhotonix em 2024 para comercializar a ideia. A startup fechou uma rodada de financiamento de US$ 4,5 milhões e trabalha com parceiros para testes de protótipos nos próximos dois anos.
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