- A crise de irrigação no Sudão persiste: os canais do esquema de Gezira estão secos desde maio de 2024, prejudicando agricultores como Mohamed Ahmed, que tem 1,2 hectares em Managil.
- Cerca de 4.000 agricultores na seção de Managil enfrentam risco de ruína, em um esquema que abrange quase 890 mil hectares e depende de água do Nilo via a antiga Barragem de Sennar.
- A privatização parcial em dois mil e cinco, seguida de reformas em dois mil e quatorze, deram aos agricultores o direito de escolher culturas e criaram associações de usuários de água, mas na prática houve redução de suporte estatal e falhas de manutenção.
- A retirada de apoio estatal e a queda nos níveis de água, agravadas pela seca, deixaram o sistema centralizado de irrigação sem supervisão eficaz, levando a perdas de várias áreas cultivadas ao longo de vinte anos.
- A busca por alternativas levou agricultores a adotar bombas movidas a energia solar; no entanto, o custo inicial é alto (aproximadamente 10 milhões de libras sudanesas, cerca de $3.500) e nem todos conseguem acessar essa solução, ampliando a disputa por água e o impacto na produção.
O que aconteceu: o sistema de irrigação Gezira, um dos maiores do mundo no Sudão, deixou de fornecer água há quase um ano. Canais estão secos desde maio de 2024, afetando milhares de hectares na região de Managil, no estado de Gezira.
Quem está envolvido: milhares de agricultores locais dependem do scheme para cultivar sorgo, lentilha e feijão. Mohamed Ahmed, de 38 anos, é um deles; Abdelhafiz Mohamed e Tayeb Gad Al-Mawla também enfrentam prejuízos na região de Shendi.
Quando e onde: a crise persiste desde 2024, com impactos concentrados em Managil, Manasi e outras áreas ao longo do Nilo, em Gezira e no Rio Nilo State. O problema se agrava pela seca e pela falha na distribuição de água.
Por quê: a privatização limitada em 2005, seguida de retirada de apoio estatal, gerou lacunas de manutenção e supervisão. A gestão descentralizada não substituiu a condução financeira e técnica do governo, agravando vazamentos e falhas.
Detalhes adicionais: a região depende de Sennar Dam para bombear água, mas autoridades reconhecem a ausência de uma autoridade executiva disciplinada para a distribuição. Grandes áreas perderam irrigação ao longo de 20 anos.
Impactos nos agricultores: Mohamed Ahmed teme perder a colheita do próximo ciclo se a água não retornar. Muitos aguardam promessas oficiais, que não se materializam, com impactos na alimentação familiar.
Alternativas adotadas: na região de South Shendi, Abdelhafiz Mohamed instalou um sistema de irrigação solar para 6,3 hectares. O custo foi de cerca de 17,9 mil dólares, endurecendo o desafio financeiro para pequenos produtores.
Crescente demanda por energia solar: empresas varegam suprimentos no Sudão, em especial para plantas solares, à medida que as falhas de irrigação aumentam. A demanda disparou após 2023, com efeitos em custo e acesso a água.
Conclusão factual: o deslocamento para sistemas solares reduz a dependência de combustível, mas impõe custos altos e desafios de manutenção. Pequenos agricultores ainda respondem com opções limitadas diante da escassez de água.
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