- Brasil lidera a expansão de data centers na América Latina, respondendo por cerca de 48% da capacidade instalada em operação e 71% da capacidade em construção, segundo a JLL.
- Em 2025, a região entregou 184 MW em colocation, recorde que supera o pico de 141 MW registrado em 2022.
- A América Latina soma cerca de 1.105 MW de capacidade instalada, com 683 MW em construção e um pipeline que passa de 3,8 GW.
- Investimentos relevantes incluem o projeto no Ceará, com 200 MW iniciais e prazo de R$ 50 bilhões, ocupado pela ByteDance, e a Ascenty anunciando US$ 1 bilhão em investimentos para 2026 no Brasil, México e Chile.
- Campinas desponta como novo polo; IA eleva a demanda por grandes projetos (até 300–500 MW), enquanto o país enfrenta desafios de transmissão, energia e incentivos fiscais, como o Redata em debate.
Brasil lidera expansão de data centers na América Latina, impulsionada pela demanda por nuvem e IA. O país concentra 48% da capacidade instalada em operação na região e 71% da capacidade em construção, segundo o JLL Latin America Data Center Report.
A região registrou, em 2025, entrega recorde de 184 MW em projetos de colocation, superando o pico anterior de 141 MW em 2022. Colocation envolve empresas que alugam infraestrutura para hospedar seus servidores e equipamentos.
No mercado latino, a métrica relevante é a capacidade energética em megawatts, que define o poder de processamento. O relatório aponta 1.105 MW de capacidade instalada na região, com 683 MW em construção e um pipeline de mais de 3,8 GW.
O Brasil lidera o ranking regional e, entre os 10 maiores da América Latina, ocupa três vagas no top 5. O estudo cita casos como o projeto de 200 MW no Ceará, fruto da parceria entre Omnia e Casa dos Ventos, com participação da ByteDance, dona do TikTok.
A ascenção brasileira também é impulsionada pela Ascenty, joint venture de Digital Realty e Brookfield Infrastructure, que anunciou investimentos de US$ 1 bilhão para 2026 no Brasil, México e Chile. Entre 13 projetos em andamento, destaca-se o SPO05 na Grande São Paulo, com ~47 MW de capacidade.
Campinas desponta como novo polo de expansão, diante de custos e disponibilidade de terrenos em grande parte da região metropolitana de São Paulo. Analistas apontam que a cidade oferece áreas rurais, energia suficiente e subestações com potência relevante.
A demanda por IA altera a escala de investimentos. Data centers voltados para IA podem chegar a 300–500 MW, exigindo terrenos maiores. A tendência se alinha ao crescimento de aplicações de IA generativa, que precisam de alto poder de processamento.
A projeção global indica investimentos entre US$ 3 trilhões e US$ 4 trilhões anuais até o fim da década. No Brasil, o Global Data Center Outlook 2026 estima captação de US$ 33 bilhões até 2030, com parcela significativa destinada a infraestrutura e equipamentos.
Para viabilizar projetos de grande porte, empresas adotam modelos híbridos de infraestrutura. Em média, cerca de um terço é infraestrutura própria e dois terços são locados, permitindo rapidez e redundância operacional.
Apesar do ritmo, a expansão depende de energia e transmissão. O Brasil tem cerca de 90% da matriz elétrica renovável, atraindo investidores, mas mais de 20% da energia gerada em solar e eólica em 2024 não foi aproveitada pela limitação das redes de transmissão.
Embora lidem com maior escala, os operadores reconhecem que o Brasil ainda está atrás dos maiores mercados globais. O país figura em posição intermediária e pode ampliar sua participação nos próximos anos, mantendo o status de hub regional.
O tema tributário também está em debate. O Redata, regime de benefícios fiscais para importação de equipamentos, perdeu validade por não ter sido votado. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinaliza estudos para retomar a medida como parte da estratégia de soberania digital.
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