- Em Donetsk, no leste da Ucrânia, um pequeno ateliê em um sótão fabrica sistemas antidrones, liderado por Andrey Kibenok, que antes não tinha experiência tecnológica.
- Milhares de militares e civis ajudam a montar drones e interceptores em garagens próximas à linha de frente; empresas como Wild Hornets e SkyFall atuam no setor.
- O financiamento vem do próprio Kibenok, de criptomoedas e de doações; o sistema mais caro fica em torno de 9.000 euros, com doações recentes de 13.000 euros.
- Os dispositivos conseguem derrubar a maioria dos drones pequenos, mas são menos eficazes contra aeronaves de maior porte, como os Shahed usados pelo adversário.
- A Brigada antidrones, com cerca de cem membros, monitora voos em tempo real e já sofreu ataques, reforçando a necessidade de defesa tecnológica no front.
Andrey Kibenok, 38, nunca teve interesse em tecnologia. Hoje ele lidera um pequeno laboratório de fabricação de sistemas antidrones no front oriental de Donetsk, na Ucrânia. O impulso veio com a invasão de 2022, que fez Kiev se tornar referência na defesa eletrônica contra drones.
A produção ocorre em um sótão de um chalé próximo à linha de frente. Entre cabos, microchips e impressoras 3D, uma equipe de cerca de seis homens monta dispositivos para interceptar, derrubar ou desativar aeronaves não tripuladas. O objetivo é enfrentar ataques de baixa e média escala.
O que acontece e quem está envolvido
Kibenok fabrica peças em 3D para montar o armamento, enquanto outros integrantes da Brigada 28, de Donetsk, atuam na área. O conjunto de antenas, portáteis e sensores compõe um sistema de interceptação capaz de bloquear sinais de drones de baixo custo usados no conflito.
O laboratório funciona com financiamento próprio do fundador, que é investidor em criptomoedas, além de doações. O custo de um sistema completo chega a cerca de 9 mil euros, conforme o relato dos operários. Empresas locais da região também encomendam unidades para o Exército ucraniano.
Quando, onde e por quê
De Kramatorsk a Sloviansk, a viagem entre instalações revela túneis improvisados para evitar ataques aéreos. O que antes era apenas estudo de peças, hoje envolve testes práticos a poucos quilômetros das posições russas. O foco é reduzir vulnerabilidades de unidades que combatem na frente oriental.
Nos bastidores, a brigada 93 coordena operações de defesa antimísseis e, ao mesmo tempo, treina equipes com equipamentos interceptores. Em um monitor, aparece um drone russo em Druzhkivka; a resposta é imediata, com a necessidade de reforçar abrigos durante ações de combate.
Contexto estratégico
A expansão de soluções de baixo custo para interceptação de drones tornou-se parte da resposta ucraniana aos ataques, incluindo drones iranianos do tipo Shahed. A União Europeia acompanha o tema, reconhecendo a dependência de conhecimento técnico de Kiev para a defesa. O avanço tecnológico no terreno é visto como parte essencial da proteção de unidades e civis na região.
Perspectivas e impactos
Profissionais da Brigada 93 destacam que a interceptação de drones de pavimento e de baixa envergadura é viável, enquanto aeronaves maiores permanecem desafiadoras. A cooperação internacional tem se intensificado, com especialistas ucranianos chegando a zonas atacadas para compartilhar técnicas de contramedidas.
Vladislav, psicólogo convertido em militar, descreve o cotidiano de quem atua na linha de frente da luta tecnológica. Ele analisa sistemas de navegação de drones Shahed e ressalta a importância de adaptar-se rapidamente a novas formas de ataque, mantendo a neutralidade técnica na avaliação dos recursos disponíveis.
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