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Cristais de memória desafiam leis da física e prometem armazenar dados

Cristais de memória gravados em vidro prometem armazenar dados em cinco dimensões, com leitura eficiente e alta densidade para armazenamento de longo prazo

Os centros de dados consomem quantidades massivas de eletricidade, água e materiais, um dilema que vem impulsionando soluções inovadoras — Foto: SPhotonix via BBC
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  • Cristais de memória são estruturas dentro de vidro criadas por lasers de femtossegundos, que permitem armazenar dados em cinco dimensões por meio da orientação, intensidade da luz e localização de voxels.
  • Um disco de vidro de cinco polegadas pode armazenar até 360 terabytes; a leitura e escrita dependem de energia, mas a manutenção consome pouca energia.
  • A empresa SPhotonix, criada por Kazansky, recebeu US$ 4,5 milhões em financiamento e planeja testar protótipos em centros de dados nos próximos dois anos, com velocidades desejadas de leitura e escrita chegando a 500 MB por segundo.
  • Além dos cristais de memória, o DNA é visto como alternativa de armazenamento de longo prazo; a Microsoft tem investido no tema, e em 2026 mostrou avanço usando vidro de borossilicato com possível conservação de até 10 mil anos, ainda sem produção comercial.
  • Especialistas destacam barreiras de adoção por incompatibilidade com infraestruturas atuais e ressaltam que soluções eficientes de energia e refrigeração, bem como abordagens de software, são cruciais no curto prazo.

A busca por novas formas de armazenar dados cresce à medida que a quantidade de informação aumenta. Pesquisadores exploram opções como o DNA e os chamados cristais de memória, que prometem maior densidade e durabilidade com consumo de energia reduzido.

Na Universidade de Kyoto, no Japão, pesquisadores observaram um fenômeno inusitado ao escrever em vidro com lasers ultrarrápidos. Em vez da dispersão esperada, surgiram estruturas minúsculas que alteram a passagem da luz, abrindo caminho para novas formas de codificar dados.

Cristais de memória

A descoberta, feita durante uma colaboração entre Kyoto e a Universidade de Southampton, resultou na criação de nanoestruturas dentro da sílica. Os orifícios formados pelos lasers permitem ler dados por meio de variações na intensidade e na polarização da luz, em cinco dimensões.

Os cristais gravam informações com intensidade de luz, orientação e localização de voxels, o que aumenta a densidade. A leitura ocorre com microscópio óptico especializado, capaz de decodificar as mudanças de polarização.

O conceito envolve discos de vidro de cinco polegadas que poderiam armazenar até 360 terabytes. A tecnologia consome energia principalmente na escrita, não exigindo energia contínua para manutenção ou leitura.

Entre os planos da SPhotonix, empresa criada em 2024 por Peter Kazansky e seu filho, está a comercialização progressiva da tecnologia. A startup recebeu cerca de US$ 4,5 milhões em financiamento e trabalha com protótipos para centros de dados nos próximos anos.

Em relação à velocidade, a empresa projeta alcançar 500 MB por segundo de leitura e escrita nos próximos três a cinco anos, em comparação com cerca de 30 MB/s na fase atual. O objetivo é tornar a recuperação de dados tão simples quanto usar um disco moderno.

Contudo, especialistas ressaltam barreiras. A compatibilidade com a infraestrutura atual é apontada como desafio para adoção maciça, o que pode retardar a substituição gradual de soluções existentes.

Outras abordagens de armazenamento

O DNA é outra linha estudada para armazenamento de dados de longo prazo. Em teoria, um único grama de DNA poderia abrigar centenas de petabytes por milhares de anos, com baixo consumo energético. No entanto, os custos de escrita e leitura ainda são obstáculos práticos.

A Microsoft tem feito investimentos nesse campo, apoiando pesquisas e até demonstrando armazenamento de dados em DNA em experiências anteriores. Em 2026, a empresa divulgou avanços envolvendo vidro de borossilicato como suporte de armazenamento, o que reduz custos e amplia durabilidade, com estimativas de até 10 mil anos de preservação.

Ainda que tais tecnologias apresentem promessa, especialistas destacam que não devem substituir o armazenamento convencional em curto prazo. Melhorias na eficiência de infraestrutura, refrigeração e gestão de cargas de trabalho ainda dominam as estratégias atuais para reduzir o consumo de energia dos centros de dados.

Perspectivas de futuro

Especialistas ressaltam que soluções como sílica, DNA e cristais de memória são atraentes do ponto de vista sustentável, mas não eliminarão a necessidade de inovações em hardware, software e processos. A eficiência energética, em especial, passa a ser prioridade em novas arquiteturas e algoritmos.

O debate permanece sobre o ritmo de adoção dessas tecnologias diante de custos, infraestrutura existente e demandas imediatas de computação. A pesquisa segue avançando, com metas de demonstração prática em centros de dados e comparação constante com métodos tradicionais de armazenamento.

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