- Turma do MIT (6.S061/21A.S02, Humane UXD) reúne ciência da computação e antropologia para criar chatbots que ajudam usuários a melhorar habilidades sociais de forma humana.
- Professores Arvind Satyanarayan e Graham Jones criaram a disciplina com apoio do MIT Morningside Academy for Design, usando métodos de antropologia linguística para embutir necessidades interpessoais na programação.
- Projetos apresentados incluem Pond, News Nest e M^3 (Multi-Agent Murder Mystery), todos desenvolvidos com a finalidade de tornar a tecnologia mais humana e útil no dia a dia.
- Pond orienta jovens que estão deixando a universidade para a vida adulta, oferecendo orientação em vida social, profissional e habilidades adultas, com sistema de pontos e recompensas.
- News Nest utiliza aves como personagens-guia para incentivar o consumo crítico de notícias e transparência de fontes; M^3 oferece um jogo de dedução com quatro chatbots como oponentes IA, onde o usuário participa como quinto jogador.
A turma de MIT que une antropologia e ciência da computação criou uma disciplina para desenvolver chatbots que orientem jovens a serem mais sociáveis e confiantes. A iniciativa nasceu de uma parceria entre dois professores, um antropólogo e um cientista da computação, que deram início à disciplina de UX Humanizada (Humane UXD). A ideia é transformar bots em guias sociais, não apenas em distrações.
A classe 6.S061/21A.S02 (Humane User Experience Design) funciona como cruzamento entre áreas, permitindo que estudantes de ciência da computação cumpram requisitos de humanas, ao mesmo tempo em que constroem sistemas reais. Métodos da antropologia linguística ajudam a incorporar necessidades interpessoais no código.
O projeto recebeu apoio financeiro do MIT MAD Design Curriculum Program, que financia novas turmas e abordagens inovadoras. O programa busca transpor fronteiras departamentais para enriquecer o ensino e a prática. O edital para 2026-27 já está aberto, com prazo até 20 de março.
Os professores citam a aprendizagem mútua como elo central. O antropólogo Graham Jones ressalta a importância de entender gêneros de conversação para moldar interações dos bots. O cientista Arvind Satyanarayan explica que a educação prática transforma pesquisa em design de sistemas reais.
Jones destaca que modelos de linguagem treinados em comunicação humana já contêm gêneros de conversa, o que facilita a aplicação prática na sala. Satyanarayan enfatiza que a turma não fica apenas na teoria, mas desenvolve protótipos com impactos no mundo real.
Entre os projetos, Pond visa acompanhar a transição de estudantes para a vida adulta, oferecendo orientação prática sem reforçar erros. A equipe é liderada por estudantes e graduandos que treinam o bot para promover autonomia e resolução de situações comuns do dia a dia.
Pond aprende a iniciar conversas de forma natural e a orientar sobre limites, finanças e moradia. A bot usa um sistema de pontos para evoluir o conhecimento e oferece exercícios de prática para o usuário ganhar confiança ao longo do tempo.
News Nest é outro projeto, que usa aves temáticas para facilitar o consumo responsável de notícias. Polly a Papagaio transmite manchetes; Gaia a Gansa, ciência; Credo a Coruja, informações legais; Edwin a Águia, economia; Pizzazz a Pavoa, entretenimento; Pixel o Pombo, tecnologia. O objetivo é evitar doomscrolling e mostrar fontes e inclinações políticas.
As equipes de News Nest são compostas por alunas e alunos seniores que priorizam transparência de fontes e redução de manipulação emocional. O design com personagens animais busca favorecer a acessibilidade sem comprometer a seriedade jornalística.
Uma terceira equipe, M^3 (Multi-Agent Murder Mystery), fez um experimento lúdico e humano. O grupo integra quatro chatbots com personas distintas — Gemini, ChatGPT, Grok e Claude — e propõe que o usuário seja o quinto participante de uma investigação de assassinato. A ideia é manter o jogo desafiador sem perder o foco educativo.
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