Em Alta Copa do Mundo NotíciasFutebol_POLÍTICA_Brasileconomia

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Você pode ser influenciador sem perceber

IA do Instagram adiciona links de ‘shop the look’ sem consentimento, ligando posts a itens similares e podendo afetar lucros de influenciadores e usuários

A similar AI shopping feature on TikTok.
0:00
Carregando...
0:00
  • Nova função de IA do Instagram testa botões “Shop the look” em posts de influencers sem consentimento, apresentando itens similares aos publicados.
  • Caso envolvendo a influencer Julia Berolzheimer, com mais de um milhão de seguidores, levou seguidores a itens parecidos, não aos produtos originais que ela promovia.
  • A Meta afirma que é um teste para entender a experiência do usuário, sem comissão para a função e com ajustes previstos mediante feedback.
  • O uso não autorizado pode prejudicar a imagem do influencer e a sua renda, já que seguidores podem comprar itens que não foram verificados por quem criou o conteúdo.
  • O fenômeno também expõe usuários comuns a promos automáticas, similar a recursos já observados no TikTok, que sugerem produtos parecidos sem permissão explícita.

A conta de uma influencer com mais de um milhão de seguidores ganhou contornos estranhos após a detecção de uma função de IA no Instagram. A ferramenta aparece nos posts para promover itens parecidos com o que ela veste, sem que haja consentimento ou confirmação de parceria por parte da criadora. O caso foi citado pela primeira vez pelo veículo Puck, em fevereiro.

Segundo reportagens, a função exibia um botão “Shop the look” flutuando nos posts de uma influencer famosa. Ao clicar, os seguidores eram direcionados a itens parecidos com os que estavam sendo usados, em vez dos produtos oficiais para os quais a criadora já recebia comissões.

A influencer Julia Berolzheimer descreveu em Substack que os links levavam a itens equivalentes de marcas desconhecidas, associados ao seu perfil sem autorização. Ela afirmou ter tomado conhecimento do recurso apenas após alguém avisá-la.

A management da Meta respondeu com um posicionamento sobre o teste: a empresa afirma que a experiência é uma fase de experimentação para entender como entregar conteúdos de produtos que combinem com o interesse dos usuários, com diferentes rótulos e sem comissão sobre esses itens. A empresa garante que está buscando feedback.

Para Berolzheimer, porém, as consequências são evidentes. A apresentação de itens não verificados sob o nome da criadora pode confundir seguidores e prejudicar a credibilidade. Além disso, a monetização da influenciadora pode ficar comprometida, já que concorrentes teriam espaço em suas recomendações sem a validação prévia.

Impacto na economia criativa

O recurso aponta para uma tendência mais ampla, na qual conteúdos que iniciam como entretenimento passam a funcionar como vitrine de compras. Usuários comuns, não apenas grandes influenciadores, podem ter seus conteúdos usados por IA para promover itens sem consentimento.

Em paralelo, a reportagem do The Verge aponta que plataformas de vídeo também experimentaram ferramentas semelhantes. O TikTok, por exemplo, já testava, em 2023, um recurso que mostra opções de compra ao localizar itens parecidos com o que aparece nos vídeos. Em alguns casos, a função foi aplicada a conteúdos sensíveis, o que gerou controvérsia.

Ao mesmo tempo, o ecossistema de criadores vem se reorganizando. Pequenos influenciadores e criadores de conteúdo passam a atuar como trabalhadores autônomos, oferecendo serviços de produção de conteúdo gerado por usuários (UGC) para marcas. Plataformas de gig economy, como Fiverr, registram oferta de criação de conteúdos visuais por valores baixos.

Perspectivas para o público e para as marcas

Especialistas apontam que a expansão de ferramentas de IA para sugerir produtos pode ampliar a exposição de itens, mas também aumenta o risco de associar conteúdos a itens não aprovados pela pessoa retratada. O equilíbrio entre inovação e consentimento continua sendo o principal ponto de debate no setor.

As discussões também envolvem a confiança do público. Consumidores costumam aceitar as recomendações de criadores de conteúdo com base na relação construída ao longo do tempo. Quando essa relação é utilizada para promover itens não certificados, o efeito pode ser de desconfiança ou de deslocamento de renda publicitária entre plataformas.

O debate sobre autoria, consentimento e uso de imagem digital ganha força à medida que algoritmos conseguem extrair padrões de conteúdo para associar produtos. Profissionais da área sugerem maior transparência nas etiquetas e mecanismos de opt-out para evitar usos não autorizados.

O que vem a seguir

Especialistas em tecnologia e mídia destacam que o estágio atual é de teste e coleta de feedback. Ainda não há confirmação de que a função permanecerá ou se será substituída por modelos mais restritos. O tema envolve regulamentação, privacidade e ética no uso de conteúdo de terceiros para fins comerciais.

Profissionais do setor observam que o crescimento da economia criativa depende de clareza sobre direitos de uso de conteúdo. Enquanto a IA oferece caminhos para novas parcerias, é essencial manter salvaguardas que protejam criadores e consumidores.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais