- Pesquisadores da Johns Hopkins e Stanford desenvolveram um robô cirúrgico autônomo que alcançou 100% de precisão em simulações de procedimentos.
- O estudo foi publicado na revista Science Robotics e mostra que o robô aprende por meio de vídeos e comandos em linguagem natural.
- O robô foi treinado em três tarefas cirúrgicas: manuseio de agulhas, levantamento de tecidos e suturas, utilizando aprendizado de máquina.
- Durante os testes, cirurgiões experientes coletaram dados de remoção de vesículas biliares em tecidos de porcos, permitindo que o robô realizasse etapas do procedimento em novos tecidos.
- Especialistas alertam para os desafios da cirurgia em tecidos moles e destacam que a adoção de robôs cirúrgicos será lenta devido a questões de segurança e custo elevado.
Pesquisadores da Johns Hopkins e Stanford desenvolveram um robô cirúrgico autônomo que realiza procedimentos com 100% de precisão em simulações. O estudo, publicado na revista Science Robotics, mostra que o robô aprende por meio de vídeos e comandos em linguagem natural, semelhante ao aprendizado de um residente médico.
Esse avanço é um marco em relação aos sistemas robóticos existentes, como o Da Vinci, que ainda dependem de cirurgiões humanos. A equipe, liderada por Axel Krieger, treinou o robô em três tarefas cirúrgicas básicas: manuseio de agulhas, levantamento de tecidos e suturas. O treinamento utilizou um sistema de aprendizado de máquina que traduz movimentos em dados matemáticos.
Durante os testes, dois cirurgiões experientes demonstraram a remoção de vesículas biliares em tecidos de porcos, coletando 17 horas de dados e 16 mil trajetórias. O robô, então, conseguiu realizar algumas das 17 etapas necessárias para a remoção da vesícula em novos tecidos, demonstrando a capacidade de corrigir erros e se adaptar a situações imprevistas.
Desafios e Perspectivas
Apesar do sucesso, especialistas alertam que a cirurgia robótica em tecidos moles apresenta desafios significativos. José Granell, chefe do Departamento de Otorrinolaringologia do HLA Moncloa, destaca a variabilidade biológica, que torna a cirurgia em tecidos moles mais complexa do que em estruturas ósseas. Ele acredita que a pesquisa da Johns Hopkins se aproxima de uma cirurgia real, mas ainda há um longo caminho a percorrer.
Krieger afirma que essa inovação representa um passo em direção a sistemas cirúrgicos autônomos clinicamente viáveis, capazes de lidar com a complexidade do atendimento a pacientes. No entanto, a adoção de robôs cirúrgicos será lenta, devido à necessidade de garantir a segurança do paciente e à resistência à mudança na prática médica.
Além disso, o custo elevado da tecnologia pode limitar seu acesso. Mario Fernández, chefe de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital Gregorio Marañón, ressalta que, embora o progresso seja interessante, a substituição de cirurgiões humanos por máquinas ainda está distante. Ele enfatiza a importância de avaliar os benefícios reais da tecnologia para os pacientes.
Entre na conversa da comunidade