A inteligência artificial está se tornando mais comum na pesquisa acadêmica, principalmente para tarefas como escrever e revisar textos. Uma pesquisa da Wiley com quase 5 mil pesquisadores de mais de 70 países mostra que muitos acreditam que a IA vai superar os humanos em várias atividades acadêmicas em breve. No Brasil, 143 pesquisadores participaram do estudo e notaram que a aceitação da IA está crescendo. Mais da metade dos entrevistados acha que a tecnologia já é melhor em tarefas como encontrar colaboradores, resumir textos e verificar plágio, mas ainda confiam mais nos humanos para prever tendências e escolher revistas para publicar. Muitos expressaram preocupações sobre vieses e falta de transparência nas ferramentas de IA. No Brasil, estão sendo discutidas diretrizes éticas para o uso da IA na pesquisa, com especialistas pedindo orientações de órgãos como a Capes e o CNPq. Pesquisadores ressaltam a importância do treinamento para que os acadêmicos entendam as limitações da IA, que deve ser vista como uma assistente e não como um substituto. Alguns, como Edgar Dutra Zanotto, usam chatbots para revisar textos e acelerar o desenvolvimento de novos materiais. A IA também ajuda na busca por informações acadêmicas em plataformas que facilitam a pesquisa. Embora a IA seja uma aliada, seu uso deve ser feito com cuidado para evitar a propagação de erros e preconceitos.
A utilização de inteligência artificial (IA) na pesquisa acadêmica está em ascensão, mas ainda é restrita a tarefas como escrita e revisão de textos. Um levantamento da editora Wiley, com quase 5 mil pesquisadores de mais de 70 países, revela que a maioria acredita que a IA superará humanos em diversas atividades acadêmicas nos próximos dois anos. No Brasil, 143 pesquisadores participaram da pesquisa, que destaca a aceitação crescente da IA na remodelação do campo da pesquisa.
Mais da metade dos entrevistados considera que a tecnologia já produz resultados superiores em tarefas como mapeamento de colaboradores, geração de resumos e verificação de plágio. No entanto, os humanos ainda são vistos como insubstituíveis em funções como previsão de tendências e seleção de revistas para publicação. Preocupações com vieses, privacidade e falta de transparência no treinamento das ferramentas foram expressas por 81% dos participantes.
Diretrizes Éticas em Discussão
No Brasil, a discussão sobre diretrizes éticas para o uso da IA na pesquisa está em andamento. O cientista político Rafael Sampaio, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), destaca a necessidade de orientações por parte de órgãos como a Capes e o CNPq. Sampaio, coautor de um guia sobre o uso ético da IA, utiliza ferramentas como o NotebookLM, que permite interagir com múltiplos arquivos simultaneamente.
Outros pesquisadores, como Ricardo Limongi, da Universidade Federal de Goiás (UFG), enfatizam a importância do treinamento para que os acadêmicos conheçam as limitações das ferramentas. Limongi utiliza softwares que ajudam na revisão da literatura, ressaltando que a checagem humana é essencial. A IA deve ser vista como uma assistente, e não como um substituto do pesquisador.
Aplicações Práticas da IA
Pesquisadores como Edgar Dutra Zanotto, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), utilizam chatbots para revisar textos e selecionar revisores. Zanotto já treinou um algoritmo com dados de 55 mil composições de vidro, acelerando o desenvolvimento de novas estruturas. A IA também é aplicada em soluções matemáticas e programação, com ferramentas como Claude e Gemini.
A busca por informações acadêmicas é facilitada por plataformas como SciSpace e Elicit, que otimizam a pesquisa em bases de dados. A advogada Cristina Godoy, da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP-USP), utiliza a plataforma Scite para avaliar a robustez de citações em artigos. A IA tem se mostrado uma aliada, mas seu uso deve ser acompanhado de um olhar crítico para evitar a reprodução de vieses e informações imprecisas.
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