Em Alta Copa do Mundo NotíciasFutebol_POLÍTICA_Brasileconomia

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Projeto apoia mães e crianças atípicas tratadas com cannabis

Projeto Noronha oferece CBD para crianças neurodivergentes e apoia mães, ampliando acompanhamento clínico e rede permanente de suporte na ilha

23/06/2023 - óleo de canabis, canabidiol, cbd, thc. Foto: CBD-Infos-com/ Pixabay
0:00
Carregando...
0:00
  • O Projeto Noronha, parceria entre Abecmed, AMA-FN e a Administração Distrital, oferece tratamento com canabidiol para crianças neuroatípicas na ilha.
  • Há cerca de três meses, o filho de Rayane Dixie dos Santos iniciou CBD e apresentou redução das crises.
  • Em dois mutirões, em fevereiro e maio, foram promovidas 126 consultas médicas e distribuídos 221 óleos de canabidiol; pretende-se construir uma sede permanente com terreno cedido.
  • Fernando de Noronha tem apenas uma unidade pública de atendimento, o Hospital São Lucas, e fica a 545 quilômetros de Recife, o que dificulta atendimentos complexos.
  • O projeto também foca no suporte às mães; Rebeca Allen relata melhoria da ansiedade e do sono após o CBD, com menor agressividade em seu filho.

Na ilha de Fernando de Noronha, o Projeto Noronha atua para apoiar mães e crianças neurodivergentes tratadas com canabinoides. O foco é oferecer opções terapêuticas integrativas para famílias da ilha, com atenção à saúde mental e ao cuidado contínuo.

A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Abecmed, a AMA-FN e a Administração Distrital de Noronha. Em mutirões realizados em fevereiro e maio, foram atendidas 126 consultas médicas e distribuídos 221 óleos de CBD de forma gratuita.

O tratamento com canabidiol (CBD) passou a fazer parte do cuidado de uma criança acompanhada pela mãe Rayane Dixie dos Santos, de 31 anos, que relata redução das crises e melhora no comportamento do filho autista com TEA e TDAH. A mãe também cuida de outro filho e mantém o emprego.

O projeto pretende estabelecer uma sede própria em terreno cedido pela Adminsitração da ilha, para oferecer acompanhamento, orientação e acolhimento de forma permanente a famílias neuroatípicas. Alexandre Assis, diretor da Abecmed, destaca que Noronha recebe o retorno da atuação com periodicidade aprimorada.

O trabalho também atende às mães, que costumam ser o elo principal de cuidado. Um dos idealizadores, Ladislau Porto, ressalta a importância de oferecer suporte às mulheres, especialmente em momentos de crise das crianças, para evitar que fiquem sem assistência.

Entre as mães atendidas está Rebeca Allen, presidente da associação de mães do arquipélago. Ela relata episódios de depressão e ansiedade generalizada em 2023, agravados pela sobrecarga de cuidado. Com CBD iniciado em fevereiro, houve melhora no sono e na capacidade de manejo da ansiedade.

O filho de Rebeca também iniciou o CBD em fevereiro e apresentou redução da agressividade, além de maior participação nas terapias e na escola. O caso ilustra o objetivo da ação de ampliar o acesso a tratamentos integrativos para a comunidade local.

O contexto local envolve desafios de saúde pública: Noronha dispõe de apenas uma unidade pública, o Hospital São Lucas, com serviços de média complexidade, e precisa de deslocamentos para o continente em casos mais graves. A distância até Recife é de cerca de 545 quilômetros.

Relatórios do segundo mutirão indicam demanda contínua por apoio psicológico, com 58 pacientes relatando questões nessa área. Entre os diagnósticos, destacam-se TEA, TDAH e transtornos de sono, além de casos de dor crônica e alterações de humor.

A organização planeja ampliar a pesquisa sobre impactos sociais e econômicos da iniciativa, com a vinda de novos pesquisadores à ilha. Assis enfatiza a intenção de consolidar redes de atendimento e ampliar a base de dados para estudos futuros.

Sobre o uso medicinal das cannabis, especialistas mencionam que os canabinoides atuam como anti-inflamatórios e podem ter efeito antioxidante, contribuindo para condições neurológicas. O CBD é visto como facilitador de tratamento multidisciplinar, sem sedação excessiva.

O projeto ressalta que, diferentemente de alguns medicamentos, o CBD tende a não deixar pacientes sonolentos, permitindo participação nas terapias. Médicos voluntários destacam a importância de manter a pessoa acordada para o cuidado contínuo.

O movimento busca, assim, estruturar um atendimento permanente para famílias neuroatípicas em Noronha, ampliando o acesso a terapias integrativas e fortalecendo a rede local de suporte.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais