- Pesquisadores do MIT desenvolveram uma formulação de medicamento em gel que, ao ser engolida, reveste o tecido do esôfago e facilita a passagem de fármacos pela mucosa.
- A abordagem busca tratar doenças do esôfago, como a esofagite eosinofílica e a doença de Crohn, oferecendo opções de tratamento mais diretas e com menos efeitos colaterais.
- A formulação combina um hidrogel com sais biliares (bile salts) quais ajudam a aumentar a permeabilidade da barreira celular, permitindo maior passagem de moléculas para o tecido.
- Em testes com animais, a formulação mostrou ser capaz de entregar infliximab diretamente ao esôfago, com a permeabilidade temporária retornando ao normal em três dias.
- Pesquisadores seguem otimizando a fórmula para testes em humanos e avaliam a possibilidade de aplicar a plataforma a outros tipos de fármacos, visando entrega localizada e redução de efeitos sistêmicos.
A equipe de engenheiros do MIT desenvolveu uma formulação de fármaco em gel que pode revestir o revestimento mucoso do esôfago após ser engolida, permitindo que o medicamento atravesse o tecido. O objetivo é entregar fármacos diretamente na região, reduzindo efeitos colaterais associados a tratamentos sistêmicos.
A pesquisa, publicada hoje na Nature Biomedical Engineering, é liderada por Giovanni Traverso, professor associado de engenharia mecânica no MIT e gastroenterologista no Brigham and Women’s Hospital. A autora principal é Christina Karavasili, ex-pesquisadora do MIT e hoje professora na Universidade Aristóteles de Tessalonica.
A esofagite eosinofílica é um dos distúrbios esofágicos mais comuns tratados hoje com fármacos sistêmicos, como infliximabe, um anticorpo que bloqueia TNF-alfa. O uso sistêmico pode aumentar o risco de infecções. A nova formulação busca reduzir esse risco ao entregar o medicamento ao tecido.
Plataforma de entrega esofágica
Os pesquisadores criaram um hydrogel com aditivos que promovem absorção rápida e coating leve da mucosa. Em testes de bancada, excipientes foram avaliados quanto à permeabilidade da mucosa esofágica simulada, identificando a combinação mais eficaz: sais biliares que afrouxam as junções entre células.
Essa combinação, associada ao hydrogel, aumenta a passagem de moléculas maiores pelo epitélio esofágico. A equipe observou que o gel permanece na superfície por mais tempo, o que facilita a entrega localizada.
Em estudos com animais, a fórmula demonstrou ser capaz de entregar infliximab ao esôfago com eficácia. O loosening das junções celulares foi temporário, retornando ao normal em até três dias.
Próximos passos e objetivos
Os autores ressaltam que o objetivo é refinar a formulação para testes em humanos e ajustar a adesão do gel para equilíbrio entre eficácia e conforto do paciente. A plataforma também pode viabilizar a entrega de diversos fármacos.
A pesquisa recebeu apoio da Sharlene van Tassel Career Development Professorship, do MIT e do ARPA-H dos EUA, entre outras instituições. Os responsáveis pela condução destacam o potencial de tratar doenças esofágicas com menos efeitos sistêmicos.
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