- Comissões de proteção à criança de Victoria alertam sobre ciclos de encaminhamentos ineficazes e fechamento de casos em 35 situações de crianças que morreram após interações com o sistema.
- Auditor-geral aponta dados atrasados, imprecisos e incompletos, o que prejudica decisões, monitoramento de acolhimento e a entrega de serviços de proteção.
- Sistema de cuidado fora de casa enfrenta aumento da demanda e subfinanciamento; número de cuidadores de foster cai, elevando a pressão no sistema de kinship care (acolhimento com parentes ou amigos próximos).
- Em 58% dos casos, crianças referidas a serviços voluntários não conseguiram engajar as famílias, devido a recusa dos responsáveis ou longas listas de espera; o financiamento não cobre a demanda.
- Chamadas aos serviços de proteção subiram de 118.096 (2021-2022) para cerca de 151.000 (2024-2025); 75% dos relatos de 2025 repetiam visitas anteriores, dificultando avaliações de risco e investigações.
A comissão de crianças e jovens de Victoria elevou o alerta sobre ciclos de encaminhamentos ineficazes para serviços voluntários e relatórios fechados em 35 casos de crianças que faleceram após interações com o sistema. A situação indica falhas no acompanhamento de crianças consideradas de alto risco.
Novos relatos mostram que as crianças mais vulneráveis do estado estão sem proteção adequada em um sistema de proteção infantil pressionado por aumento da demanda e recortes de financiamento. Há lacunas de dados graves e falta de apoio aos cuidadores, segundo organizações de defesa.
A comissão apresentou o relatório na assembleia na quinta-feira, um dia após o auditor-geral apontar que o sistema de cuidados fora de casa não atende plenamente às necessidades das crianças. Dados inconsistentes dificultam decisões e monitoramento de onde as crianças estão.
Dados e contexto
O auditor-geral destacou que as informações são atrasadas, imprecisas e incompletas, o que atrapalha decisões de proteção e a gestão de acomodações. Reivindicações de financiamento para corrigir falhas não obtiveram resposta do governo.
O número de cuidadores disponíveis vem caindo, pressionando o sistema de cuidados por parentes próximos, que hoje corresponde a 81,7% das colocações. Os pagamentos a cuidadores são apontados como os mais baixos do país, contribuindo para a queda de voluntários.
Kinship Carers Victoria afirmou que as avaliações de necessidades são inadequadas e os valores para crianças com necessidades elevadas são insuficientes. Também criticou a falta de dados, afirmando que o sistema pode não saber onde as crianças vivem.
Efetividade e fluxo de casos
A comissão descobriu um ciclo de encaminhamento e fechamento, em que casos são fechados pela proteção infantil e encaminhados aos serviços voluntários, que em 58% não conseguem engajar as famílias. Longas listas de espera agravam o problema.
Alguns motivos para a falta de engajamento incluem recusa dos pais e a indisponibilidade de serviços devido à demanda elevada. O último exercício fiscal mostrou que a demanda de chamadas a proteção aumentou nos últimos anos.
A comissão analisou 35 crianças que tinham tido contato com proteção antes de falecerem. Entre elas, houve 267 relatos, com uma média de oito por criança, sendo grandes parte fechados na etapa de intake ou investigação.
Em 2025, 75% de todos os relatos recebidos pela proteção infantil envolviam crianças já reportadas anteriormente, sinalizando reincidência e persistência de fatores de risco não plenamente monitorados.
Reações e próximos passos
O sindicato dos trabalhadores do setor afirmou que as necessidades dos jovens mais vulneráveis não estão sendo atendidas, citando exaustão de equipes, subfinanciamento e pressão crescente. A demanda por recursos adicionais foi reiterada.
A oposição crítica o desempenho do sistema e requer melhoria imediata. As autoridades de Victoria não comentaram oficialmente até o fechamento desta edição. Fonte: comissões e auditorias.
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