- O aumento da obesidade não é uniforme: países ricos mostram estabilização, enquanto nações de renda média e baixa continuam a subir.
- Novo estudo da revista Nature analisou a evolução da obesidade em 197 países entre 1980 e 2024, com dados de cerca de 232 milhões de pessoas.
- Desigualdades regionais: nos ricos, o crescimento ocorreu primeiro e já desacelerou; na América Latina há ascensão contínua; na África e Europa Central há variações significativas.
- Desigualdades demográficas: em países ricos, o aumento começou entre crianças e adolescentes; em outros lugares, o ritmo foi maior entre adultos; há diferenças de gênero entre regiões.
- Os pesquisadores destacam que a obesidade é um fenômeno heterogêneo e não pode ser tratada como epidemia global; políticas públicas devem ir além da informação individual.
O que acontece: um estudo publicado na revista Nature analisa a evolução da obesidade em 197 países entre 1980 e 2024, mostrando que o crescimento não é uniforme e depende de fatores regionais e demográficos. A pesquisa envolve a base de dados da NCD Risk Factor Collaboration, com informações de cerca de 232 milhões de pessoas.
Quem está envolvido: pesquisadores da NCD Risk Factor Collaboration, rede internacional de ciência em doenças não transmissíveis. O estudo foi assinado por especialistas que analisaram tendências por país, faixa etária, gênero e renda.
Quando e onde: o relatório foi publicado na última quarta-feira, 13 de maio, na Nature. Abrange dados de 1980 a 2024, cobrindo 197 países ao redor do mundo.
Por quê: os autores defendem que classificar a obesidade como epidemia global mascara desigualdades. O crescimento é influenciado por desenvolvimento econômico, acesso a alimentos, políticas públicas e mudanças tecnológicas.
Desigualdades regionais
A progressão da obesidade varia entre países de renda diferentes e entre regiões com características similares. Países ricos mostram desaceleração e estabilização, enquanto alguns com renda alta já operam em patamares maiores que pares europeus.
Em nações de baixa e média renda, o crescimento acelera, com variações regionais acentuadas. No leste africano, a obesidade fica abaixo de 5%, enquanto Europa Central e América Latina mostram faixas entre 30% e 40% entre adultos.
Desigualdades dentro de regiões também aparecem. Sudeste Asiático apresenta disparidades internas, com Vietnã bem abaixo de Tailândia na obesidade adulta.
Desigualdades demográficas
Em países desenvolvidoos, o aumento ocorre primeiro entre crianças e adolescentes, com desaceleração precoce nos jovens. Em outras regiões, adultos lideram o crescimento inicialmente, seguido por jovens.
Há diferenças de gênero: em parte da Europa, o crescimento é mais rápido entre homens; na África Subsaariana e no Sul/Sudeste da Ásia, o crescimento é maior entre mulheres. Renda e escolaridade também influenciam significativamente.
A raiz da obesidade
Os pesquisadores apontam que fatores simplistas não explicam o fenômeno. A obesidade é heterogênea e não pode ser tratada como uma única epidemia global. A urbanização, alimentação ultraprocessada e mudanças de estilo de vida atuam de forma variada.
Eles destacam que países de alta renda acompanharam o avanço econômico com política pública voltada para informação, sem mudanças estruturais na alimentação e na atividade física. Já na média e baixa renda, políticas públicas são menos consistentes.
Segundo o estudo, o desenvolvimento econômico e tecnológico ampliou o acesso a alimentos, contribuindo para o crescimento em alguns contextos. A comparação entre regiões reforça a necessidade de estratégias locais para combate ao ganho de peso.
Gráficos e dados
O material inclui gráficos da evolução da obesidade entre 1980 e 2024, com mapas que destacam padrões por idade e sexo. As imagens mostram aceleração recente em várias regiões, com estabilização em outras.
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