- O conflito no Sudão deslocou quase quatorze milhões de pessoas e deixou dezenove milhões com acesso a alimento limitado; cerca de trinta e quatro milhões precisam de assistência humanitária.
- No campo de deslocados internos de Al-Afad, perto de Khartoum, vivem mais de vinte e cinco mil pessoas, mas faltam saneamento básico e recursos: são necessários cento e vinte banheiros, e há apenas duzentos.
- A escola local atende cerca de quatrocentos e cinquenta alunos do ensino primário; há apenas sete clínicas com dezesseis profissionais, e as atividades de saúde dependem de energia solar; há apenas duas ambulâncias para encaminhamentos.
- Alamin Hafez, de vinte e três anos, percorreu cerca de setecentos e quarenta e cinco milhas para chegar a Al-Afad; interrompeu seus estudos de medicina e está separado da família, sem previsão de reunião.
- A movimentação de ajuda enfrenta obstáculos principalmente por controle entre as forças RSF e as forças armadas, com impactos na distribuição de alimento, medicamentos e serviços básicos.
Em Khartoum e na região de Darfur, civis seguem deslocados em acampamentos improvisados, com fome, falta de saneamento e serviços de saúde limitados. O relato desta semana destaca os moradores do Al-Afad IDP Camp, próximo a Khartoum, enfrentando precariedades diárias.
Alamin Hafez, 23 anos, vaga entre as tendas do Al-Afad. Originário de Al-Fashir, ele sonhava em ser médico e estudava na universidade local. A escalada do conflito interrompeu os estudos e obrigou a família a buscar abrigo no Chad, enquanto ele permaneceu na região.
O conflito envolve as forças paramilitares RSF e as Forças Armadas Sudanesas SAF, com combates que se estenderam de Khartoum a Darfur. Em outubro de 2025, a RSF tomou a região, interrompendo a formação de estudantes como Hafez.
De Darfur à acampamento, Hafez percorreu cerca de 745 milhas, uma jornada que lhe tirou a família de vista. Hoje ele tenta sobreviver em Al-Afad, a cerca de cinco horas de carro de Khartoum, esperando reencontrar a família.
A ONU estima a pior crise humanitária global, com quase 14 milhões de deslocados e 19 milhões com acesso alimentar limitado. Milhões de crianças enfrentam interrupção escolar e grande parte da população requer assistência.
Al-Afad abriga mais de 25 mil pessoas, com uma única escola que atende 450 alunos, em comparação com 1,5 mil crianças em idade escolar na comunidade. O campamento opera com recursos escassos e logística dificultada pela situação regional.
Há apenas sete clínicas para atender a demanda de um complexa, com 16 trabalhadores no total. Um convênio adotado pelo SAF permite que organizações tragam uma única refeição matinal, seis dias por semana.
Entre as famílias, Manal Abdula divide um quarto com seus seis filhos. Seu marido morreu há seis meses em explosão no mercado local. Sem renda estável, Abdula depende de doações para manter os filhos na escola.
A falta de infraestrutura é evidente: o campamento requer 1.200 sanitários, mas dispõe de apenas 200. A carência de água e higiene aumenta o risco de doenças entre moradores, sobretudo crianças e gestantes.
Rami Abd El-Rahim, gerente do acampamento, afirma que a capacidade atual não atende à demanda de 1.5 mil crianças em idade escolar. A limitação de instalações também afeta a segurança sanitária e a qualidade de vida.
Segundo Simon Mane, diretor da World Vision no Sudão, os recursos disponíveis não acompanham o crescimento das necessidades. Organizações humanitárias enfrentam dificuldades para financiar e distribuir ajuda.
Assistência humanitária enfrenta entraves administrativos e logísticos. Both SAF e RSF dificultam a movimentação de suprimentos, exigindo permissões para cada operação de ajuda, com relatos de bloqueios.
Em Al-Afad, equipamentos básicos são escassos: apenas uma maternidade com poucos leitos, e distantes de hospitais com capacidade limitada. Veículos de emergência disponíveis somam duas ambulâncias.
Hafez, que às vezes ajuda em uma clínica, relata depressão, agravada pela separação da família. Apesar disso, ele segue tentando manter a saúde mental e social com atividades no acampamento.
Na próxima semana, Emmanuel Nwachukwu deverá voltar com a terceira parte da série, mostrando como cristãos em Omdurman enfrentam a destruição de igrejas e a crise local.
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