- Nicole Daedone, criadora da OneTaste, promoveu a prática de orgasmo meditativo (OM), que combina espiritualidade, mindfulness e sexualidade, com expansão da empresa nos Estados Unidos e venda da OneTaste em mil e dezessete por quinze milhões de dólares.
- Em março, Daedone foi condenada à prisão federal após juiz reconhecer uso de coerção psicológica, emocional e financeira para forçar mulheres a atos sexuais com clientes e investidores.
- OM envolve uma sessão em duplas, com a mulher deitada em um ninho de itens, seminuenta da cintura para baixo, e o estimulador estimulando o clitóris por quinze minutos, em um exercício supostamente sem objetivos.
- A prática é apresentada como benéfica para reduzir estresse, regular emoções e promover experiências místicas, embora haja pouca pesquisa independente sobre seus efeitos.
- Críticos alertam sobre possível pressão de grupo, dívidas elevadas para participar de cursos e a importância do consentimento claro, para evitar que o dinheiro se sobreponha ao bem-estar.
Orgasmic meditation ganha notoriedade e envolve empresa e acusações criminais
A prática conhecida como orgasmic meditation (OM) foi criada por Nicole Daedone e associada à empresa OneTaste, voltada à empoderamento feminino através de OM. Em 2009, o New York Times publicou reportagem sobre o método e sua expansão.
A OneTaste operava inicialmente em um galpão em San Francisco, com adeptos vivendo em comunidade. A rede acabou abrindo unidades em várias cidades dos EUA, como San Francisco, Austin e Nova York. Personalidades públicas chegaram a mencionar a prática.
Em 2017, Daedone vendeu a OneTaste por cerca de US$ 12 milhões. A empresa ganhou destaque internacional e atraiu publicidade de celebridades, mantendo o foco na promoção de OM como uma ferramenta de bem‑estar.
O que é orgasmic meditation
Desenvolvida no início dos anos 2000, OM envolve uma sessão entre duas pessoas, com a prática guiada por uma coreografia rígida. A mulher fica deitada em posição escolhida, enquanto o estimulador foca na região do clitóris por 15 minutos.
Durante a prática, os participantes devem manter o foco na experiência corporal e evitar expectativas de reciprocidade. Especialistas destacam que a abordagem exige consentimento claro e formação adequada para evitar abusos.
Controvérsia e consequências legais
Nesta março, Daedone foi condenada pela Justiça federal por uso de coerção psicológica, emocional e financeira para envolver mulheres vulneráveis em atos sexuais com clientes e investidores da empresa. A sentença inclui prisão federal.
A decisão chegou após investigações que intensificaram o escrutínio sobre os executivos da OneTaste. Documentário de Netflix sobre a empresa, lançado em 2022, ampliou o alcance das denúncias.
Estudiosos e ex‑clientes apontam situações em que participantes foram pressionados a participar de demonstrações explícitas e a assumir dívidas elevadas para custear cursos e retiros, alguns com valores altos.
Contexto e avaliações
Especialistas destacam que espaço sexualmente positivo pode trazer benefícios quando há consentimento e treinamento adequado. Contudo, há alertas sobre interesses financeiros excessivos e pressões de grupo que podem comprometer o bem‑estar.
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