- INCA abriu estudo inédito para avaliar a viabilidade de um programa de rastreamento de câncer de pulmão no SUS, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e financiamento da AstraZeneca, com dois anos de duração e mínimo de 397 participantes.
- O objetivo é gerar evidências para uma diretriz nacional de detecção precoce, visando reduzir a mortalidade pela doença.
- Elegibilidade segue consenso de sociedades médicas: pessoas entre 50 e 80 anos, fumantes ou ex-fumantes que fumaram 20 cigarros por dia por 20 anos.
- O rastreamento usa tomografia computadorizada de baixa dose e, segundo estudos, pode reduzir a mortalidade em até 20%, chegando a 38% quando associado à cessação do tabagismo.
- Em caso de diagnóstico, pacientes serão acompanhados pelo Hospital do Câncer I, unidade do INCA no Rio, com liderança do médico Arn Migowski.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) anunciou nesta quarta-feira, 1º, o início de um estudo inédito para avaliar a viabilidade de um programa de rastreamento de câncer de pulmão no SUS. A iniciativa é realizada em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e conta com financiamento da AstraZeneca. O objetivo é fundamentar uma diretriz nacional para detecção precoce e reduzir a mortalidade.
O estudo terá duração de dois anos e envolve, no mínimo, 397 pacientes. A seleção será feita em conjunto com o Programa de Cessação de Tabagismo da Secretaria Municipal de Saúde, que reúne cerca de 50 mil participantes. O rastreamento utiliza tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD).
Caso haja diagnóstico positivo, os pacientes serão acompanhados pelo Hospital do Câncer I (HC I), unidade do INCA que atua como referência no Rio de Janeiro. O HC I integra a rede de alta complexidade do SUS e ficará responsável pelo atendimento.
Detalhes do estudo e elegibilidade
O estudo é liderado pelo epidemiologista Arn Migowski. A proposta visa detectar o câncer de pulmão precocemente, com ênfase na cessação do tabagismo, para ampliar as chances de tratar a doença com eficácia. A seleção de pacientes segue critérios de consenso de sociedades médicas nacionais, incluindo faixas etárias entre 50 e 80 anos, fumantes ou ex-fumantes que pararam nos últimos 15 anos, com histórico de consumo de 20 cigarros diários por 20 anos.
A pesquisa coloca o Brasil na etapa de testar a aplicação prática do rastreamento no SUS, buscando evidências para embasar futuras diretrizes de saúde pública. A coordenação envolve o INCA e a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, com apoio da indústria por meio da AstraZeneca.
Contexto e impactos
A parceria público-privada é visto como caminho para ampliar a pesquisa clínica no país. O diretor médico da AstraZeneca destacou que a cooperação entre setores pode fortalecer o SUS e ampliar estratégias no combate ao câncer de pulmão. A iniciativa também envolve a avaliação da efetividade do protocolo na realidade brasileira.
Especialistas lembram que o tabagismo segue como principal fator de risco. O cenário atual envolve um aumento na prevalência de consumo entre jovens, com debate sobre políticas de prevenção e comunicação eficaz para esse público. Há expectativa de que os resultados do estudo provoquem reflexões sobre diretrizes nacionais.
Perspectivas nacionais
O câncer de pulmão continua sendo a principal causa de morte por câncer no Brasil. Dados recentes indicam óbitos elevados decorrentes de tumores pulmonares, superando outras formas comuns de câncer. As estimativas apontam 781 mil novos casos por ano no triênio 2026–2028, ressaltando o desafio que a doença representa para o sistema de saúde.
A taxa de mortalidade por câncer de pulmão está ligada ao diagnóstico tardio: a maioria dos casos é identificada em estágios avançados, o que reduz significativamente as perspectivas de sobrevida. O estudo do INCA busca consolidar evidências para orientar políticas públicas de detecção precoce e tratamento.
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