- Políticos devem priorizar a queda da insegurança habitacional para aumentar a taxa de natalidade, secondo estudo do think tank Resolution Foundation.
- A parcela de mulheres sem filhos até os 30 anos subiu de 48% (nascidas no final dos anos oitenta) para 58% (início dos anos noventa).
- O grupo de mulheres não formadas, com 25 a 29 anos, teve queda no número de mães: de um terço sem filhos em 2011, para 54% sem filhos em 2023.
- Entre esse grupo, a parcela que aluga moradia privada dobrou, de 16% em 1998-99 para 33% em 2023-24, enquanto a posse de casa caiu pela metade no mesmo período.
- O estudo aponta que restrições financeiras influenciam a decisão de ter filhos; recomendações incluem ampliar a acessibilidade à moradia e facilitar o acesso ao crédito para entrada em imóveis.
O think tank Resolution Foundation recomenda que, para incentivar mais nascimentos no Reino Unido, autoridades foquem na crise habitacional. O estudo sustenta que barreiras financeiras para jovens tornaram-se um obstáculo central para iniciar uma família.
Segundo o relatório Bye Bye Baby, mudanças rápidas nas dinâmicas familiares estão ligadas a queda do acesso à moradia de qualidade. O conjunto de dados aponta que, entre mulheres sem filhos aos 30 anos, a parcela de quem não é mãe aumentou de 48% entre quem nasceu no final dos anos 1980 para 58% das nascidas no início dos anos 1990.
A análise aponta maior impacto entre mulheres sem ensino superior, na faixa dos 25-29 anos. Em 2011, cerca de um terço não tinha filhos; em 2023, esse total subiu para 54%. A pesquisa também mostra queda de taxas de posse de casa e aumento da moradia em aluguel privado, muitas vezes cara e instável.
O estudo destaca que o aluguel privado, dominando o cenário para esse grupo, quase dobrou entre 1998-99 e 2023-24, pulando de 16% para 33%. Ao mesmo tempo, a propriedade de moradia caiu pela metade nesse mesmo período. Ainda não há certeza sobre se esse grupo terá filhos no futuro.
Fatores financeiros e políticas públicas
A Fundação analisa que, entre 32‑anos sem filhos, a propensão a permanecer sem crianças é maior entre quem está no quarto de renda mais baixo do que entre os de renda mais alta. A relação entre renda e decisão de ter filhos aparece como elemento relevante, segundo o relatório.
Políticos têm apresentado propostas para estimular a natalidade, incluindo expansão de creches gratuitas e clubes de alimentação escolar no ensino básico, voltadas a facilitar a conciliação entre filhos e trabalho. A pauta envolve também planos de acesso à moradia para jovens.
Propostas de financiamento à moradia e próximos passos
O think tank sugere medidas que foquem na acessibilidade habitacional, como empréstimos com apoio de recursos públicos para facilitar o depósito inicial na compra de imóvel. A ideia é reduzir custos mensais e aumentar as oportunidades de entrada no mercado imobiliário.
Lideranças políticas já comentaram sobre ações que vão além do tema habitacional. O ex-líder do Reform Party, Nigel Farage, descreveu a queda da natalidade como crise existencial e propõe ampliar a dedução do imposto para famílias casadas, visando facilitar a decisão de ter filhos.
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