- A guerra contra o Irã começou em 28 de fevereiro, e voos para o Golfo vindos de Nepal e de outros países da região tiveram grande redução, afetando centenas de trabalhadores que buscam novas vagas.
- Em Kathmandu, o terminal internacional ficou lotado e muitos nepaleses ficaram sem saber quando conseguirão embarcar; Mamata Tamang disse estar com medo, mas que precisa trabalhar para sustentar os filhos.
- Trabalhadores estrangeiros do Golfo somam mais de vinte milhões dos cerca de trinta e cinco milhões no total; remessas representam parcela importante do PIB de Nepal (cerca de 26%), com outros países sul-asiáticos também dependentes desse fluxo.
- Até 27 de março, pelo menos dezoito civis haviam morrido na região, incluindo nepaleses, indianenses, bengali e paquistanês, conforme relatos anunciados.
- Economistas alertam que uma prolongação do conflito pode piorar o cenário econômico da região, afetando câmbio, reservas e consumo, além de dificultar o retorno de migrantes.
A guerra entre EUA e Israel contra o Irã tem secado os voos e empregos que movem centenas de jovens sul-asiáticos rumo ao Golfo. Nepal, Bangladesh, Índia, Paquistão, Sri Lanka sofrem com a suspensão de rotas que levam a Kuwait, Doha, Doha-Dubai, Sharjah e outras cidades. O atraso de voos e a incerteza financeira atingem trabalhadores que já tinham contratos e passagens comprados.
Mamot Tamang, nepalense de 35 anos, chegou ao aeroporto de Kathmandu antes do amanhecer, em 2 de março, esperando chegar a Sharjah. Por volta das 10h, permanecia cercada por passageiros sem sinais de seus voos. O medo é real, mas a intenção é manter as finanças para sustentar os filhos.
Ao redor, cerca de 2,3 mil nepaleses saem diariamente para empregos no Golfo. A crise se espalha para Bangladesh, Índia, Paquistão e Sri Lanka, onde a dependência de remessas sustenta economias locais. Enquanto isso, o número de mortos entre migrantes já chega a 17 em países do Golfo até 27 de março.
Impactos na migração e nas famílias
Especialistas apontam que trabalhadores migrantes são os mais vulneráveis em crises. Eles enfrentam corrupção de renda, endividamento familiar e retorno forçado. Famílias aguardam notícias enquanto a guerra aumenta a incerteza sobre os salários no exterior.
Milhões de migrantes movem a economia do Golfo. Remessas representam cerca de 26% do PIB do Nepal em 2024, e percentuais similares aparecem em Bangladesh, Sri Lanka e Paquistão. A Índia, apesar de receber menos remessas proporcionalmente, continua entre os maiores receptores.
Perspectivas econômicas regionais
Analistas alertam para o risco de uma desaceleração prolongada no Golfo. Economias como Qatar, Kuwait, Arábia Saudita e UAE podem regredir, o que afetaria câmbio, reservas e consumo doméstico. A logística para retorno de migrantes também tende a ficar mais complexa.
Especialistas ressaltam que a região precisa diversificar corredores de migração para reduzir vulnerabilidades. A crise demonstra que ganhos do deslocamento laboral são volumosos, mas frágeis diante de geopolitica hostil.
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