- Estudo com mais de 2 mil crianças em 31 escolas de Londres associou ficar mais de três horas por dia nas redes sociais a depressão e ansiedade mais graves aos 13–15 anos.
- Em comparação com uso moderado (até meia hora por dia), o excesso de tela pode aumentar a gravidade de depressão em cerca de 47% e de ansiedade em 40%.
- A pesquisa faz parte do Study of Cognition, Adolescents and Mobile Phones (SCAMP) e acompanhou as crianças de 11–12 anos (2014–2016) para 13–15 anos (2016–2018).
- O sono foi o principal mediador identificado: mais tempo de tela coincidiu com menos sono, o que eleva o risco de transtornos mentais.
- A associação foi mais marcante entre meninas, e os autores destacam limitações por mudanças nas plataformas desde o início do estudo.
O excesso de uso de redes sociais entre crianças está associado a quadros mais graves de depressão e ansiedade, segundo um estudo realizado em Londres. A pesquisa acompanhou mais de 2 mil estudantes ao longo de quatro anos e aponta que ficar ativo nas redes por mais de três horas diárias pode intensificar sintomas.
Os dados indicam que, em comparação com o uso moderado (até 30 minutos por dia), crianças expostas por longos períodos apresentam aumento da gravidade dos sintomas em cerca de 47% para depressão e 40% para ansiedade. A relação é parcialmente mediada pela desregulação do sono.
O estudo faz parte do SCAMP, o maior estudo de longo prazo sobre impactos de tecnologias digitais em crianças e adolescentes. O SCAMP acompanha dados de saúde, sono, dieta e desenvolvimento cognitivo desde 2014, em escolas de Londres.
O que foi medido e como
Entre 31 escolas, pesquisadores do Imperial College London acompanharam crianças de 11 a 15 anos, com avaliações de hábitos digitais, saúde mental e testes cognitivos. Ao todo, 2.350 jovens foram identificados com sintomas depressivos ou de ansiedade.
Ao comparar períodos entre 11-12 anos (2014-2016) e 13-15 anos (2016-2018), verificou-se que o tempo de tela está relacionado ao agravamento dos transtornos, com maior impacto em meninas. A análise considerou mudanças ao longo do tempo e padrões de sono.
Limitações e contexto
Os autores ressaltam que as redes sociais passaram por mudanças significativas desde 2014, incluindo formatos de vídeo e dinâmicas de uso. Ainda assim, o estudo de longo prazo permite observar consequências progressivas do uso de telas na saúde mental.
Entre os fatores avaliados, a qualidade e a duração do sono emergiram como mediadores centrais. Crianças com mais tempo de tela tendiam a dormir menos, e a privação de sono está associada a piora de transtornos mentais.
Considerações finais
A pesquisa aponta uma possível explicação para o efeito observado: o excesso de redes sociais desregula o sono, o que, por sua vez, pode ampliar a severidade dos transtornos. A conclusão enfatiza a necessidade de políticas e orientações familiares para equilíbrio entre tecnologia e rotina do sono.
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