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Você se perde: crise de saúde mental atinge mulheres da Geração X

Crise de saúde mental atinge mulheres da geração X com mais de cinquenta, impulsionada pela menopausa, cuidado de familiares e pressões profissionais, com acesso insuficiente

‘Everything about me felt wrong.’ Illustration: Marta Lanuza/The Guardian
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  • Quase dois terços de mulheres com mais de 50 anos enfrentam problemas de saúde mental, segundo a associação britânica de psicoterapia e aconselhamento (BACP).
  • Fatores apontados incluem ansiedade, dificuldades de sono, luto e a menopausa, com nove em cada dez dessas mulheres não buscando ajuda.
  • Pesquisas indicam que a crise é impulsionada pela combinação de responsabilidades que aumenta após os 50, como cuidado de familiares e desafios no trabalho, além de questões hormonais não bem reconhecidas pela medicina.
  • Estudos destacam que cerca de um em cada seis perimenopáusicas ou menopausadas pode ter pensamentos suicidas não identificados ou tratados adequadamente.
  • A falta de acesso a recursos acessíveis e variados alimenta o problema, levando a campanhas de desestigmatização e à necessidade de serviços comunitários mais amplos e bem treinados.

Em meio a uma crise de saúde mental, mulheres da geração X enfrentam desafios cada vez mais intensos após os 50 anos. Um retrato de amigas na faixa de 50 a 63 mostra impacto de mudanças hormonais, divórcios, cuidando de pais e problemas no trabalho. O conjunto de fatores contribui para um aumento de sofrimento mental, segundo especialistas.

Uma pesquisa recente da British Association for Counselling and Psychotherapy aponta que quase dois terços de mulheres com mais de 50 anos enfrentam problemas de saúde mental. Ansiedade, insônia e luto aparecem como gatilhos, com 9 em cada 10 das 2 mil pesquisadas não buscando ajuda.

Os especialistas destacam que a menopausa e a transição hormonal podem não receber a devida atenção médica, o que aumenta o risco de sofrimento não reconhecido. Estudiosa na área ressalta que o treinamento médico muitas vezes não aborda adequadamente a relação entre hormônios e saúde mental.

Entre as entrevistadas, Emma, 52 anos, relatou episódio depressivo ligado a questões médicas, pressão no trabalho e conflitos familiares com o filho. A busca por apoio começou com aconselhamento recomendado pelo médico, que ajudou a traçar planos, mas reconhece limites diante de situações graves como doenças de familiares.

Dados médicos situam que, em Inglaterra, uma a cada quatro mulheres enfrenta doença mental comum em uma semana. Em contrapartida, os homens apresentam menos casos nessa mesma faixa. O transtorno não é sinônimo de doença grave, mas a prevalência é elevada entre mulheres em determinadas fases da vida.

Pesquisas recentes associam a subnotificação de ideação suicida entre mulheres na perimenopausa e menopausa a lacunas no diagnóstico e no tratamento. O estudo analisou quase mil mulheres e aponta necessidade de ampliar serviços de saúde acessíveis, especialmente na atenção primária.

Especialistas observam que longos tempos de espera por terapia e custos elevados de atendimento privado dificultam o acesso a tratamento. Reivindicam serviços comunitários mais ágeis e políticas que incorporem a experiência das mulheres na prática clínica.

No debate público, campanhas de desconstrução do estigma foram lançadas para incentivar a busca por ajuda. O alvo é mostrar que a saúde mental não é sinal de fraqueza e que há caminhos de apoio que podem ser acessíveis.

Alguns impactos socioculturais aparecem em estudos sobre a visibilidade dessa geração. A narrativa de invisibilidade é discutida por especialistas, que apontam desigualdades de raça, classe e educação como fatores que afetam a experiência de envelhecimento. Enquanto alguns veem este momento como uma fase de transição, outros destacam ganhos de autonomia e redes de apoio emergentes.

Autoras e pesquisadoras ressaltam ainda que a construção social em torno da menopausa e da idade muda conforme o contexto. Há quem advogue por maior representatividade e por políticas públicas que acompanhem as necessidades específicas de mulheres na faixa dos 50 e 60.

Em relatos de vida, a percepção de que a fase pós-50 pode trazer clareza e autoconhecimento ganha força. Participantes mencionam escolhas de vida diferentes, como mudanças de carreira ou envolvimento em atividades comunitárias, como formas de enfrentamento e de ressignificação do percurso.

As recomendações enfatizam ampliar o acesso a serviços de saúde mental, melhorar o treinamento de profissionais de saúde para reconhecer sintomas hormonais e promover redes de apoio locais sem estigmas. A ideia é reduzir barreiras e facilitar o cuidado adequado.

Caso apresentado, a terapeuta e autora Stella Duffy aponta que a sociedade tende a valorizar mulheres pela fertilidade. A perda desse parâmetro pode gerar desvalorização e pressão para manter aparências, especialmente no ambiente de trabalho e na vida pessoal.

Pesquisadores canadenses destacam ainda a influência de desigualdade acumulada ao longo da vida, que agrava as dificuldades de envelhecer. Compreender esse contexto é essencial para políticas públicas mais justas e inclusivas para mulheres acima de 50 anos.

Para quem busca apoio, existem serviços de linha direta e recursos de saúde mental disponíveis em diversos países. A indicação é procurar orientação médica inicial e, se necessário, acessar linhas de apoio locais.

Mind, no Reino Unido, e serviços internacionais de orientação de crise, oferecem contatos para apoio emocional. Em inglês, há linhas de ajuda específicas para diferentes regiões, com opções de atendimento por telefone, chat ou e-mail.

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