- Década após os ataques de Bruxelas em 22 de março de 2016, vítimas com ferimentos graves enfrentam descontos na compensação estatal.
- Walter Benjamin, que perdeu a perna e passou por várias cirurgias, teve a pensão mensal cortada em setenta por cento no ano passado, estimando uma redução entre €130 mil e €150 mil ao longo da vida.
- O governo afirma que as deduções valem para pagamentos futuros e não haverá cobrança de dívida a ele ou aos familiares; o grupo Life for Brussels diz que muitos sobreviventes enfrentam dificuldades financeiras.
- Lei belga de 2017 determina que não haja dupla indenização, levando a descontos na pensão de sobreviventes quando há outras compensações; o serviço de pensões emitiu nota de desculpas e afirmou ajustes administrativos.
- Outros casos, como o de Aurélie Cardon, também mostraram reduções inesperadas; o órgão reconheceu erros em 14 situações de recuperação indevida e anunciou reembolso para os prejudicados.
Oito anos depois dos atentados em Bruxelas, pacientes feridos gravemente seguem enfrentando cortes em pensões de Estado. Walter Benjamin, vítima das explosões de 22 de março de 2016, viu a renda mensal ser reduzida drasticamente para compensar pagamentos anteriores de assistência aos sobreviventes.
Benjamin estava a poucos metros do segundo atacante no aeroporto de Zaventem quando a bomba explodiu. O ataque deixou 32 mortos e mais de 320 feridos graves, incluindo injúrias que geraram 17 operações e a perda de uma perna.
Apesar da recuperação física, o ex-empregado de 56 anos convive com ataques de pânico e limitações diárias. Ele diz que a redução de 70% na pensão chegou sem aviso, calculando perdas entre €130 mil e €150 mil ao longo dos anos.
A família também teme o impacto financeiro para a filha, já que o saldo reduzido pode se tornar uma dívida. Benjamin descreve o episódio como um choque psicológico e questiona a lógica dos cortes retroativos.
A posição oficial aponta que a dedução ocorre apenas sobre pagamentos futuros, sem possibilidade de cobrança de dívidas do beneficiário ou de seus herdeiros. O governo afirma que não haverá recuperação retroativa de dívidas.
O grupo de apoio às vítimas Life for Brussels aponta que muitos sobreviventes vivem em desespero. A entidade critica as deduções, dizendo que violam princípios de não retroação e geram dificuldades para famílias.
Os casos envolvem questionamentos sobre a lei belga de 2017, que impede dupla compensação pelo trauma. Sobreviventes recebem pensão sujeita a descontos caso recebam outras remunerações como seguro ou seguridade social.
Aurélie Cardon, outra sobrevivente, recebeu uma pensão vitalícia de €126 mensais, mas teve o benefício suspenso sem explicação. Em dezembro, recebeu uma cobrança de €1.500, reforçando o retrabalho administrativo.
Em resposta, o serviço federal de pensões informou que a compensação é para cerca de 700 vítimas e que as deduções visam compensações residuais. O órgão afirmou que algumas cobranças foram incorretas e são passíveis de reembolso.
Cardon relata que a comunicação oficial chegou apenas recentemente, após anos de espera. Ela diz que prefere seguir em frente, mas destaca que o tema ainda domina sua vida após a ata de 10 anos do ataque.
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