- Crianças que passam mais de três horas diárias nas redes sociais têm maior probabilidade de apresentar ansiedade e depressão na adolescência.
- A possível explicação é que o uso frequente acaba prejudicando o sono, especialmente nos horários noturnos.
- O efeito é mais marcante em meninas, segundo a pesquisa da Imperial College London.
- O estudo acompanhou 2.350 crianças, entre 11 e 15 anos, em 31 escolas de Londres, com avaliações cognitivas e questionários entre 2014 e 2018.
- Os autores recomendam ações de educação digital e mais pesquisas, destacando que mudanças nas plataformas ao longo dos anos exigem atualização dos dados.
A pesquisa aponta que crianças que passam mais de três horas diárias em redes sociais têm maior probabilidade de apresentar sintomas de ansiedade e depressão na adolescência. O estudo liga o efeito a menos sono, provocado pelo uso tardio do celular, especialmente entre meninas.
Os dados foram analisados por pesquisadores do Imperial College London. Eles utilizaram informações de um estudo de cognição, adolescentes e telefones móveis iniciado em 2014, com respostas de 2.350 crianças de 31 escolas de Londres.
As avaliações ocorreram em dois momentos: quando as crianças tinham entre 11 e 12 anos e, novamente, entre 13 e 15. O objetivo foi observar mudanças ao longo do tempo na relação entre uso digital e saúde mental.
A análise mostrou que jovens com uso diário superior a três horas têm maior probabilidade de apresentar sinais de ansiedade e depressão na adolescência, em comparação com quem fica online por cerca de 30 minutos diários. A diferença é mais acentuada entre as garotas.
Segundo a pesquisadora principal, Mireille Toledano, o tempo de tela avançado e a noite adiantada costumam reduzir as horas de sono, impactando o funcionamento saudável. O estudo reforça a hipótese de que a privação de sono seja um fator-chave.
No panorama público, o governo britânico abriu uma consulta para discutir medidas de proteção online para crianças, incluindo possíveis restrições para menores de 16 anos. A equipe ressalta que não há evidência suficiente para respaldar uma proibição total.
Gerações anteriores já viram debates semelhantes, como a experiência da Austrália, que implementou restrições para menores de 16 anos. Em paralelo, discute-se se leis mais rígidas sobre uso de telefones em escolas seriam eficazes.
Os autores destacam a necessidade de mais pesquisas, já que o cenário das redes sociais mudou consideravelmente desde 2014 a 2018. O estudo recomenda educação em alfabetização digital e sono nas escolas de ensino médio.
Chen Shen, da Escola de Saúde Pública do Imperial, ressalta que as plataformas evoluem rapidamente. Observa-se a importância de acompanhar mudanças para entender como o uso das redes afeta a saúde mental das crianças hoje.
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