- Tracey Burton, CEO da Uniting NSW e ACT, diz que o superannuation deve ser usado para cuidado de idosos, não para deixar para a próxima geração.
- O Labor deveria incentivar pessoas mais ricas a gastar mais do super na própria assistência, para liberar capacidade do sistema de cuidados a idosos.
- Burton ressalta a necessidade de mudança cultural para evitar que o governo financie tudo, já que há limites de orçamento público.
- A Uniting é organização sem fins lucrativos que administra casas de cuidado, vilas de aposentados e serviços domiciliares.
- O governo federal já implementou medidas, com cerca de 4,3 bilhões de dólares no Support at Home, 83 mil vagas a mais até o fim do ano, e 115 milhões de dólares para o Aged Care Capital Assistance Program, além de enfrentar filas e custos de coparticipação.
A executiva-chefe da Uniting NSW e ACT, Tracey Burton, defende que a aposentadoria acumulada deve ser destinada ao cuidado de idosos, não à transferência para a próxima geração. Ela afirma que o tema precisa entrar no debate público com a participação de organizações de idosos, inclusive para discutir o uso adequado de um patrimônio de cerca de 4 trilhões de dólares.
Em um discurso previsto para a próxima semana, Burton sugere que o Labor incentive brasileiros mais ricos a gastar mais de suas próprias economias na própria assistência, liberando capacidade no sistema de cuidados de idosos que enfrenta dificuldades financeiras e de atendimento. Ela aponta que alguns poupadores veem a aposentadoria como direito a financiamento público total.
Uniting NSW e ACT é uma organização sem fins lucrativos que administra 70 casas de cuidado residencial, 90 vilas de aposentados e serviços de cuidado domiciliar. Burton ressalta que há resistência entre alguns poupadores, que defendem deixar o dinheiro para herança, em vez de gastá-lo no cuidado atual.
Contexto e números-chave
O governo federal instaurou, em 2024, um grupo de trabalho sobre cuidados de idosos que recomenda maior contribuição de pessoas com maior renda. O estudo projetou que, nas próximas duas décadas, muitos com saldos significativos ainda terão recursos para custear o cuidado.
Burton aponta pendências da comissão de royal commission para os cuidados de idosos, destacando filas de espera para atendimento domiciliar. Ela cita que cerca de 200 mil pessoas aguardam por serviços de apoio em casa.
A organização defende isenção automática de coparticipação para aposentados que recebem pensão integral, estimando custo de cerca de 50 milhões de dólares por ano. Segundo a Uniting, o pagamento de coparticipação em atividades como banho pode impedir o acesso a serviços essenciais.
Financiamento e ações do governo
O programa Support at Home, lançado pelo governo, tem um aporte de 4,3 bilhões de dólares dedicados a ampliar o cuidado domiciliar, com 83 mil vagas adicionais até o fim do ano fiscal. Em março, o governo anunciou 115 milhões de dólares adicionais para ampliar o acesso a cuidados residenciais em áreas selecionadas.
Burton elogia o aumento de financiamento para a força de trabalho na geriatria e a maior presença de enfermeiras em unidades de cuidado residencial, destacando impactos positivos na qualidade do atendimento.
O sistema australiano de cuidado de idosos enfrenta desafios demográficos, com aumento do contingente de pessoas acima de 65 anos e queda na participação da força de trabalho. As autoridades buscam caminhos para sustentar o acesso e a qualidade dos serviços.
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