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Nova cepa recombinante da Mpox preocupa a OMS; antiviral mais usado não funciona

OMS alerta sobre nova cepa recombinante da mpox; testes não identificam o novo vírus e o tecovirimat não reduz resolução das lesões nem eliminação do vírus

Fotografia da feridas causadas pelo mpox.
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  • A Organização Mundial da Saúde confirmou uma cepa recombinante inédita da mpox, formada pelos clados Ib e IIb, com identificação difícil por PCR convencional.
  • Ensaios mostraram que o tecovirimat, antiviral usado contra orthopoxvírus, não reduziu tempo de resolução das lesões, nem aliviou a dor ou acelerou a eliminação do vírus; resultados reproduzidos por estudos com clados I e IIb.
  • No Brasil, não houve mortes por mpox em 2024 e 2025, mas a detecção do clado Ib em São Paulo, em 2025, modificou o cenário de risco no país.
  • A vigilância precisa incluir sequenciamento genômico de forma sistemática, e os protocolos clínicos devem ser revistas à luz das novas evidências, com foco em tratamentos para grupos vulneráveis.
  • A vacinação pelo Sistema Único de Saúde (SUS) continua como principal defesa, com a vacina Jynneos (MVA-BN) para grupos prioritários, além de medidas de prevenção e orientação clínica para casos graves.

A Organização Mundial da Saúde aponta a detecção de uma nova cepa recombinante do mpox. O vírus não é identificado pelos testes de PCR convencionais, exigindo sequenciamento completo para a confirmação. A fusão envolve elementos de clados Ib e IIb.

Paralelamente, estudos com o antiviral tecovirimat mostram resultados frustrantes. Em ensaio randomizado com 344 adultos, não houve diferença entre antiviral e placebo na resolução de lesões ou na eliminação do vírus.

A combinação de nova cepa e eficácia duvidosa de tratamento aumenta a incerteza sobre o manejo clínico. Pesquisas com PALM007 corroboram que o uso rotineiro do fármaco pode não trazer benefício em adultos com mpox leve a moderada.

Nova cepa recombinante

Casos confirmados até o momento foram detectados no Reino Unido e na Índia, ambos com histórico de viagem internacional. A OMS aponta disseminação potencial em pelo menos quatro países, em três regiões, mesmo sem todos os nomes divulgados.

Casos de detecção por PCR simples foram insuficientes para distinguir o novo vírus. Apenas o sequenciamento genômico completo revelou a origem recombinante, com elementos dos dois clados em circulação.

A classificação entre clados ajuda a entender diferenças de gravidade. O clado IIb associou-se ao surto global de 2022 com letalidade baixa; Ib, mais grave, apresenta estimativas entre 3% e 5%, chegando a 11% em subgrupos vulneráveis.

No Brasil, não houve mortes por mpox em 2024 ou 2025. Contudo, a confirmação do clado Ib em São Paulo, em 2025, elevou o nível de risco percebido no país e ampliou a vigilância necessária.

Medidas de vigilância e tratamento

A vigilância precisa incorporar o sequenciamento genômico de forma sistemática. O PCR convencional não identifica cepas recombinantes, o que dificulta o rastreio.

Protocolos clínicos precisam ser revisados, pois o tecovirimat não sustenta uso rotineiro em pacientes imunocompetentes. Grupos vulneráveis exigem alternativas terapêuticas e monitoramento mais cuidadoso.

Prevenção e imunização

A vacinação é a principal forma de proteção atual. No SUS, a vacina Jynneos (MVA-BN) é indicada para grupos prioritários, com eficácia estimada entre 70% e 85% e benefício se aplicada até 96 horas após exposição de risco.

A ACAM2000, outra opção, tem uso restrito e não faz parte da estratégia do SUS. Em pesquisa, uma vacina de mRNA para mpox apresenta resultados promissores em modelos pré-clínicos.

Medidas básicas permanecem úteis: evitar contato com lesões, buscar atendimento ante surgimento de lesões com febre e linfadenopatia, especialmente após exposição de risco.

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