- Um relatório da organização Birthrights reúne relatos de trezentas pessoas na Inglaterra que disseram ter sido coagidas durante o cuidado de maternidade, com linguagem autoritária que não valorizou a decisão informada.
- Os casos incluem pressão para aceitar exame vaginal para ser admitida no centro de parto e indução sem que houvesse explicação sobre a necessidade.
- Uma mulher relatou ter sido obrigada a realizar cesariana sem que os motivos fossem esclarecidos; outra relatou tratamento similar ao estilo de “falar com a criança” e falta de escolha.
- Hazel Williams, diretora-executiva da Birthrights, disse que as coerções estão se tornando um problema sistêmico na maternidade, atingindo principalmente mulheres negras e de origem sul-asiática, e que a coerção precisa acabar.
- Especialistas apontam que as diretrizes e a lei exigem apoio à decisão informada e que investimentos em formação e tempo para conversas com as pacientes são necessários; o Royal College of Obstetricians and Gynaecologists alerta para a necessidade de atendimento seguro, personalizado e equitativo. A NHS England foi consultada para comentar.
O relatório exclusivo da Birthrights aponta que mulheres em cuidados de maternidade na Inglaterra têm se sentido pressionadas a aceitar procedimentos médicos, como cesáreas, sem explicações claras. Ao reunir 300 relatos, a organização descreve uso de linguagem autoritária que mina a capacidade de decisão informada.
Segundo o estudo, profissionais de saúde chegaram a impor exames vaginais como condição de admissão a centros de parto e indução do parto sem justificativa adequada. Casos relatados incluem pressões para aceitar cesárea sem esclarecer a necessidade do procedimento.
Megan Rogerson, de Hull, observou que se sentiu coagida a ter cesárea durante o parto de seu segundo filho, sem diálogo sobre alternativas. Ela relatou tratativas que a faziam sentir-se menosprezada e sem opção.
Hazel Williams, diretora-executiva da Birthrights, afirmou que o uso de coerção se tornou um problema sistêmico, com impactos desproporcionais em mulheres negras e brown. Ela destaca violação de direitos e autonomia corporal.
Guia e leis também aparecem no debate. O Nursing and Midwifery Council orienta o fornecimento de informações embasadas para decisão informada e permite que pacientes encerrem conversas a qualquer momento. A legislação exige apoio à decisão informada.
O presidente do Royal College of Obstetricians and Gynaecologists, Dr. Alison Wright, sustenta que coerção e racismo de risco não têm lugar na assistência, mas admite pressão sobre serviços de maternidade. Ela ressalta necessidade de investimento e formação contínua.
NHS England foi contatada para comentar. O estudo reforça a necessidade de serviços de maternidade mais fortes, com informações claras, consentimento efetivo e respeito à escolha de cada mulher.
Entre na conversa da comunidade