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Circuito cerebral para incorporar novas informações pode ligar à esquizofrenia

Mutação no gene grin2a pode prejudicar circuito que atualiza crenças com novas informações, apontando alvo terapêutico para déficits cognitivos na esquizofrenia

MIT researchers have identified neurons in the mediodorsal thalamus (labeled pink) whose dysfunction can lead to impairments in the ability to update beliefs based on new information.
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  • Pesquisadores identificaram uma mutação no gene grin2a associada à dificuldade de atualizar crenças com novas informações, em um circuito talamocortical mediodorsal ligado ao cortex pré-frontal.
  • O estudo em camundongos sugere que a mutação prejudica a função desse circuito que envolve receptores NMDA, o que pode explicar parte das deficiências cognitivas da esquizofrenia.
  • A mutação grin2a foi identificada em um estudo de exome sequencing que analisou dezenas de milhares de sequências de pessoas com esquizofrenia e controlas, destacando vários genes de risco.
  • Em uma tarefa de recompensa, camundongos com a mutação demoraram mais para adaptar escolhas entre alavancas conforme o valor mudava, demonstrando tomada de decisão menos flexível.
  • A ativação por optogenética da região mediodorsal do tálamo reverteu os sintomas comportamentais em camundongos mutantes, indicando que esse circuito pode ser alvo de tratamentos para déficits cognitivos da esquizofrenia.

Um estudo de MIT identificou uma mutação genética ligada a dificuldades de atualizar informações no cérebro, o que pode contribuir para a dificuldade de pessoas com esquizofrenia em manter o contato com a realidade. A pesquisa, realizada em camundongos, aponta que o gene grin2a prejudica um circuito cerebral responsável pela atualização de crenças diante de novos dados.

Os pesquisadores associam a mutação a alterações na forma como o cérebro integra informações novas. Em camundongos, a mutação grin2a afeta o funcionamento de um circuito que envolve o tálamo mediodorsal e o córtex pré-frontal, regiões importantes para controle executivo e tomada de decisão.

O estudo, conduzido por Guoping Feng e Michael Halassa, foi publicado hoje na revista Nature Neuroscience. Tingting Zhou e Yi-Yun Ho foram autores principais. Os cientistas criaram um modelo de camundongos com a mutação grin2a para observar comportamentos relacionados à atualização de informações.

Adaptação a novas informações

Esquizofrenia tem forte componente genético. Enquanto o risco geral é de cerca de 1%, sobe a 10% com parente com a doença e a 50% em gêmeos idênticos. Estudos genéticos recentes identificaram mutações associadas à doença por meio de sequenciamento de exoma inteiro.

Em camundongos, a mutação grin2a levou a padrões de decisão menos eficientes diante de mudanças de recompensa. Em um experimento com alavancas, os animais deveriam escolher entre uma alavanca de maior recompensa com mais esforço e outra de menor recompensa.

Desempenho e circuitos cerebrais

Ao longo do experimento, camundongos saudáveis ajustavam a escolha conforme o esforço relativo, alternando entre alavancas até perceberem o ponto de igualdade. Animais com a mutação atrasaram essa mudança, mantendo-se por mais tempo em uma opção de menor benefício.

O resultado sugere que, sem a atualização rápida de informações, a tomada de decisão se torna menos adaptativa. A atividade neural no tálamo mediodorsal acompanhou as mudanças de valor entre as opções de recompensa.

Implicações terapêuticas

Os pesquisadores mostraram que é possível reverter, em parte, o comportamento dos camundongos mutantes por meio da optogenética. Ao ativar células específicas da região do tálamo mediodorsal com luz, os animais passaram a exibir padrões de decisão mais próximos aos de camundongos sem mutação.

Apesar de a mutação grin2a representar uma parcela pequena dos casos de esquizofrenia, a disfunção desse circuito pode ser uma via comum de prejuízo cognitivo na doença. A equipe busca identificar alvos dentro desse circuito que possam ser atacados por fármacos.

Perspectivas futuras e financiamento

Pesquisas continuam para mapear como a modulação desse circuito pode amenizar déficits cognitivos em pacientes. Os financiamentos incluem Institutos Nacionais de Saúde, centros ligados ao MIT e fundações dedicadas à pesquisa de transtornos psiquiátricos, entre outros.

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