Em Alta NotíciasFutebolBrasileconomiaPolítica

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Taxas de infanticídio caem na África, mas abandono de crianças persiste

Infanticídio de crianças com deficiência recua na África, mas abandono persiste, alimentado por crenças religiosas e estigma em áreas rurais

Two Kenyan children sitting on the streets of Nairobi.
0:00
Carregando...
0:00
  • O infanticídio de bebês com deficiência caiu nas últimas duas décadas na África, devido a leis mais robustas e ao trabalho de defesa dos direitos, mas o abandono de crianças continua alto, especialmente em áreas rurais.
  • No Quênia, houve aumento de casos de abandono infantil no último ano; o estigma é um fator que leva pais a esconder ou abandonar filhos com deficiência, com unidades de saúde atuando como refúgios informais.
  • Um relato no país descreve o caso de Ruth Mulongo, que acabou envolvida no assassinato de uma filha com deficiência e hoje trabalha como pastora, orientando famílias e comunidades.
  • Iniciativas cristãs e organizações como Kupenda for the Children trabalham para desestigmatizar a deficiência, oferecer educação, cirurgias corretivas e reabilitação, além de treinar famílias e igrejas.
  • Em alguns países, como Nigéria, ainda há relatos de infanticídio e práticas ligadas a crenças culturais sobre deficiência, mostrando que atitudes e superstições persistem em várias regiões.

O enredo em torno do infanticídio e do abandono de crianças com deficiência ganha contornos complexos na África. Em Kenya, um caso antigo de homicídio envolvendo uma mãe e a pressão familiar sustenta debates sobre estigma, religião e proteção infantil. O episódio ocorreu em Bungoma, no oeste do país, há 17 anos, quando uma jovem de 18 anos deu à luz uma criança com deficiência. A mãe da gestante sugeriu que a bebê era maldição e pediu para ocultar o crime. A criança foi jogada em uma lagoa rasa e encontrada morta no dia seguinte.

Mulongo, como é conhecida a mãe, fugiu após o crime, temendo ser presa. A investigação apontou-a como principal suspeita por já ser conhecida pela gravidez. A fuga ocorreu a pé, de bicicleta e por transporte público, até chegar a Bungoma, capital do condado, cerca de 100 quilômetros de onde ocorreu o fato real. O caso evidencia o peso do estigma e da vergonha social associada a deficiência na comunidade.

Dados recentes indicam queda de homicídios de crianças com deficiência na África, impulsionados por mudanças legais e por ações de organizações religiosas que trabalham para transformar crenças sobre deficiência. Apesar disso, o abandono infantil e incidentes de infanticídio ainda ocorrem, especialmente em áreas rurais da África Central, Oriental e Ocidental.

Em Kenya, o abandono de crianças aumentou no ano passado conforme relatado pela polícia local. A estigmatização permanece como motor principal para que crianças com deficiência, ou filhos de mães solteiras, sejam mais vulneráveis. Países africanos têm fortalecido proteções para pessoas com deficiência, mas superstições persistem em várias comunidades.

Mudanças de tema: incidência, proteção e ações de campo

Em Nigeria, relatos de 2025 indicaram infanticídio em comunidades ao redor de Abuja, com foco em crianças albinas, órfãos de parto e gêmeos, atribuídos a crenças de poderes sobrenaturais. Em Kampala, Uganda, organizações policiais regionais expressaram preocupação com aumento de bebês abandonados desde 2023. Enquanto alguns países expandem leis de proteção, crenças culturais continuam a influenciar decisões familiares.

Segundo relatos de mães kenianas, o estigma social leva pais a abandonar ou a abandonar-se, mantendo a ideia de que a deficiência é punição ou presságio. Profissionais de saúde relatam que muitos pacientes ainda evitam contato com crianças com deficiência por preconceito, dificultando ações de cuidado e inclusão.

Organizações cristãs de saúde atuam com cirurgias corretivas e reabilitação para condições tratáveis, como pé torto e lábios palatais. Ministérios de defesa dos direitos de pessoas com deficiência promovem educação dos pais e comunidades para reduzir preconceitos. Igrejas também criam programas voltados a crianças com deficiência.

Ruth Mulongo, cuja história inicial desencadeou a reportagem, hoje atua como líder religiosa e defensora dos direitos de crianças com deficiência. Ela trabalha como pastora jovem, oferecendo aconselhamento, promovendo seminários educativos e conectando famílias a organizações de apoio. Seu trabalho busca desarmar o estigma e incentivar a aceitação familiar.

Mulongo afirma que muitas famílias ainda se sentem envergonhadas de ter um filho com deficiência em público, inclusive dentro de igrejas. Ela desenvolve visitas domiciliares, orienta casais e comunidades sobre as causas de deficiências e incentiva que maridos não culpem as mães. O objetivo é mudar a percepção de que a deficiência é sinal de maldição.

Ela também compartilha sua própria história de pressão familiar e de superação, destacando que o perdão e o apoio comunitário podem transformar trajetórias. Segundo ela, o caminho é acolher as crianças e reconhecer que nem toda deficiência é resultado de culpa, evitando decisões extremas.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais