- A Palantir ganhou contrato de NHS England no valor de £330 milhões para entregar a Plataforma de Dados Federados (FDP) em 2023, alinhando o NHS à era digital.
- A organização de justiça em saúde Medact afirma que a natureza interoperável do software pode facilitar abusos de poder do Estado, incluindo operações similares a detenções de imigrantes nos EUA.
- O relatório, apoiado por médicos, advogados e pacientes, foi enviado a hospitais e conselhos integrados de cuidado em todo o país e divulgado ao Guardian e ao BMJ.
- Reform UK propõe uma versão britânica do ICE e propõe ampliar o compartilhamento de dados entre órgãos como Home Office, NHS, HMRC e polícia; Palantir nega que use dados dessa forma, dizendo ser ilegal e contrária ao contrato.
- Instituições locais, como o Conselho de Saúde de Greater Manchester, têm indicado cautela com a FDP, com demoras na adoção e preocupações sobre custo-benefício e confiança pública; mais de cinqüenta mil pacientes já solicitaram aos conselhos que não adotem a FDP.
O NHS England autorizou o contrato de 330 milhões de libras com a Palantir Technologies para entregar a Plataforma de Dados Federados (FDP) em 2023. A iniciativa visa levar o NHS à era digital, segundo o governo, mas enfrenta críticas de grupos de saúde e direitos humanos.
A Medact, organização de justiça em saúde, afirma que o software da Palantir, por ser altamente interoperável, pode facilitar abusos do estado com uso de dados. O relatório foi elaborado com apoio de médicos, advogados e pacientes e foi enviado a hospitais e conselhos de cuidado integrado.
A ONG cita riscos de compartilhamento de dados entre departamentos públicos no Reino Unido, se leis mudarem. Em paralelo, Reform UK tem defendido planos para uma versão britânica de controles semelhantes aos usados pela imigração nos EUA, com maior intercâmbio de dados entre entidades públicas.
A Palantir diz não ter intenção nem meios legais de usar os dados conforme sugerido pela Medact, afirmando que tal uso violaria contratos e a lei. Mesmo assim, a preocupação persiste sobre as capacidades de “drag and drop” entre setores.
Alguns conselhos regionais, como o Greater Manchester Integrated Care Board, já adiaram a adoção da FDP, citando questões de custo-benefício e confiança pública. Mais de 50 mil pacientes já contataram conselhos pedindo rejeição à FDP.
Os técnicos da Medact pedem que as trusts e os ICBs recusassem a FDP e que o NHS Inglaterra rescindisse o acordo com a Palantir, argumentando riscos à confiança dos pacientes e à preservação de soluções locais de dados.
A reportagem não apura conclusões, apenas informa o estágio atual do debate e as posições de partidos, instituições e a própria Palantir sobre o uso de dados no setor público. O Departamento de Saúde e Cuidados Sociais foi consultado para comentar.
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