- Um funcionário tirou a própria vida dentro da unidade Sesc Pompeia, em São Paulo, levando à suspensão de atividades programadas no último sábado.
- Um grupo anônimo denominado Coletivos de Trabalhadores e Trabalhadoras do SESC divulgou nota questionando condições de trabalho, cobrando políticas de cuidado e apontando pressão por metas e assédio.
- O texto afirma que a rotina é marcada por sobrecarga, perda de direitos e falta de canais seguros para denúncias, descrevendo um ambiente de desgaste emocional contínuo.
- Um funcionário com mais de dez anos de casa relatou à CartaCapital a diferença entre a imagem pública do Sesc e a realidade vivida pelos trabalhadores, citando uma gestão centrada em metas.
- O Departamento Regional do Sesc São Paulo é chefiado por Luiz Deoclecio Massaro Galina; o Sesc não respondeu até a publicação sobre políticas de saúde mental ou canais de denúncia.
Um funcionário do Sesc Pompeia, unidade da instituição na zona oeste de São Paulo, tirou a própria vida no local no fim de semana passado, após uma série de sinais de desgaste e pressão dentro do ambiente de trabalho. A suspensão de atividades programadas no sábado, incluindo dois shows, foi apresentada pela instituição como problema técnico, mas o caso ganhou contornos ainda mais graves nos dias seguintes.
Um grupo anônimo, identificado como Coletivos de Trabalhadores e Trabalhadoras do SESC, divulgou uma nota de luto que também questiona as condições de trabalho na rede paulista. O texto acusa sobrecarga, pressão por metas, episódios de assédio e a falta de políticas de cuidado com a saúde mental, sugerindo que o ambiente corporativo contribui para tragédias silenciosas.
Para além da nota, relatos de trabalhadores com mais de uma década de atuação descrevem um contraste entre a imagem pública do Sesc e a realidade vivida por quem trabalha na instituição. Segundo eles, a gestão estaria cada vez mais orientada por números, metas e desempenho, em detrimento do bem-estar dos funcionários.
Contexto institucional
O Sesc São Paulo é chefiado pelo Departamento Regional, que tem como titular Luiz Deoclecio Massaro Galina, que assumiu após o falecimento de Danilo Santos de Miranda em 2023. A liderança atual é alvo de questionamentos sobre políticas de cuidado com a saúde mental e canais de denúncia seguros.
Reação e buscas por políticas
A reportagem solicitou ao Sesc informações sobre eventuais políticas de saúde mental para funcionários e sobre canais de denúncia de assédio, mas não houve resposta até o fechamento deste texto. O caso reacende o debate sobre condições de trabalho na rede cultural, que inclui unidades em diversas regiões.
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