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Brasil tem 3 milhões de crianças vítimas de violência sexual online em um ano

Unesco: 19% de adolescentes brasileiros sofreram violência sexual online; Instagram e WhatsApp são os principais canais usados pelos agressores

Criança no celular — Foto: Canva
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  • Brasil tem 3 milhões de crianças e adolescentes de 12 a 17 anos vítimas de violência sexual facilitada por tecnologia no último ano; índice é de 19% no grupo pesquisado.
  • Casos envolvem produção e divulgação de conteúdo sexual, aliciamento e intimidação; Instagram e WhatsApp aparecem como principais plataformas usadas pelos agressores.
  • Em 66% dos relatos a violência ocorreu em canais online, sendo 64% em redes sociais e apps de mensagens; Instagram é citado em 59% e WhatsApp em 51% dos casos.
  • 14% dos jovens relataram exposição a conteúdo sexual não solicitado; 49% dos abusadores eram conhecidos; 34% não contaram a ninguém o que viveram.
  • Tecnologia de inteligência artificial aparece no atendimento: 3% mencionaram uso de IA para criar imagens ou vídeos com a aparência das vítimas; 5% receberam ofertas para imagens ou presentes, e 3% receberam propostas de encontros presenciais.

Uma reportagem da UNESCO aponta que 19% das crianças e adolescentes de 12 a 17 anos no Brasil foram vítimas de exploração ou abuso sexual com uso de tecnologia em 12 meses. O dado corresponde a cerca de 3 milhões de pessoas atingidas no período.

O estudo, intitulado Disrupting Harm in Brazil, ouviu 1.029 jovens e responsáveis entre novembro de 2024 e março de 2025. As entrevistas consideraram experiências ocorridas no ano anterior à participação.

Entre os relatos, 14% viram conteúdo sexual não solicitado, 49% o agressor era conhecido e 34% não contaram a ninguém o que viveram. Em um caso, uma jovem de 16 anos recebeu mensagens com conteúdo sexual pelo Facebook.

Onde e como os casos acontecem

A violência ocorre majoritariamente em canais online, segundo o levantamento. Redes sociais e aplicativos de mensagens somaram 64% dos casos, jogos online 12%.

Instagram e WhatsApp foram citados por 59% e 51% das vítimas, respectivamente. Mesmo quando o agressor era conhecido, o contato inicial ocorreu pela internet em 52% dos casos.

Entre as situações, há registros de aproximação na escola (27%), na casa da criança (11%) e em espaços de prática esportiva (2%). Ofertas de dinheiro ou presentes por imagens chegaram a 5%, e 3% receberam propostas de encontros presenciais.

Impactos e uso de IA

O estudo indica que as vítimas apresentam maior alerta de ansiedade, além de maior risco de autolesão e pensamentos suicidas. Jovens vitimados têm 5,4 vezes mais chances de autolesão e 5 vezes mais chances de pensar em suicídio.

Foi identificado ainda o uso de inteligência artificial na produção de imagens falsas com aparência de vítimas. Cerca de 3% relataram que alguém utilizou IA para criar conteúdo sexual com a imagem de uma pessoa.

Especialistas destacam que a IA não cria violência completamente nova, mas facilita e amplia práticas já existentes. Casos envolvendo IA já foram registrados em escolas e redes sociais no Brasil.

Casos e referências históricas

Casos de aplicação de IA para difundir conteúdo sexual envolvendo adolescentes já chamaram atenção no Brasil. Em 2023, alunos de uma escola de São Paulo passaram a compartilhar imagens manipuladas; em 2023, no Rio de Janeiro, houve apuração sobre montagem com imagens nuas de estudantes.

Em janeiro, investigações apontaram que um chatbot integrado a uma rede social gerou milhões de imagens sexualizadas, com milhares possivelmente representando menores. As autoridades seguem acompanhando o uso dessas ferramentas.

Medidas e debates regulatórios

O debate sobre proteção de menores na internet ganhou destaque com denúncias de conteúdo envolvendo adolescentes. Projetos de lei discutem mecanismos para coibir a adultização de crianças online e reforçar regras para plataformas digitais.

Casos envolvendo adolescentes foram alvo de ações penais e medidas disciplinares, como suspensões em escolas e acompanhamento psicológico de vítimas. As discussões apontam para ampliar políticas de proteção e de responsabilização dos serviços digitais.

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