- Em 2025, a Coreia do Sul registrou 254.500 nascimentos, o maior aumento anual em 15 anos, impulsionado pela geração “eco-boomers” e pela recuperação dos casamentos após a pandemia.
- A taxa de fertilidade subiu para 0,80, voltando à faixa de 0,8 pela primeira vez desde 2021, segundo dados parciais do ministério de dados e estatísticas.
- O reerguimento está ligado aos cerca de 3,6 milhões de filhos nascidos entre 1991 e 1995, hoje na casa dos 30 e poucos anos.
- A proporção de jovens casados que pretendem ter filhos aumentou, e os nascimentos dentro de dois anos após o casamento avançaram 10,2%, com a intenção de ter filhos após o casamento subindo 3,1% entre 2022 e 2024.
- Especialistas avisam que esse impulso pode dissipar a partir de 2027, quando cohortes menores de pós-1996 entram na casa dos trinta; o governo já investe em medidas pró-natal, mas há desafios como custos de moradia, educação e infraestrutura de parto.
Mais de 254 mil bebês nasceram em 2025 na Coreia do Sul, o maior incremento anual em 15 anos. O aumento é atribuído em parte a uma geração temporariamente ampliada, conhecida como echo boomer, que está na casa dos 30, e à recuperação das taxas de casamento após o atraso causada pela pandemia.
A taxa de fertilidade, média de filhos por mulher ao longo da vida, subiu para 0,80, ante 0,75 no ano anterior. O dado provisional divulgado pelo ministério de Dados e Estatísticas indica retorno à faixa de 0,8 pela primeira vez desde 2021.
O crescimento de nascimentos representa um aumento de 6,8% no total de nascimentos. Contudo, o país continua a registrar mais mortes do que nascimentos, com população em recuo anual, mantendo a Coreia do Sul como o único país da OCDE com taxa de fertilidade abaixo de 1,0.
Echo boomer e dinâmica familiar
Demógrafos destacam o efeito echo boomer: cerca de 3,6 milhões de crianças nasceram entre 1991 e 1995, década em que houve flexibilização de políticas de planejamento familiar. Esse contingente está hoje na casa dos 30 anos, faixa com maior propensão a ter filhos.
Estimativas apontam que mulheres entre 30 e 34 anos somam aproximadamente 1,7 milhão em 2025, alta de 9% frente a 2020. O diretor de tendências populacionais do governo cita efeito demográfico e retorno de casamentos promovidos pela recuperação pós pandemia.
Dados de pesquisas indicam aumento de pessoas que pretendem ter filhos após o casamento, de 2022 para 2024, além de elevação de nascimentos dentro de dois anos de casamento em 2024-2025. A tendência sugere que casais que se casam mais tarde podem adiantar a gravidez.
Perspectivas e desafios
Especialistas alertam que esse impulso pode se diluir a partir de 2027, com entradas de coortes menores na faixa etária de maior fertilidade. Park Hyun-jung afirma que não é possível estabelecer relação direta entre políticas públicas e o atual aumento, mas reconhece influência de medidas pró-casamento e procriação.
O governo investiu bilhões de dólares em medidas pró-natal nas últimas duas décadas, incluindo auxílios financeiros, subsídios habitacionais, licença parental estendida e apoio para creche. Empresas também oferecem benefícios, até 100 milhões de won por nascimento, conforme relatos.
Mesmo com incentivos, custos de moradia elevados, educação privada dispendiosa e estigma no ambiente de trabalho continuam como entraves. Infraestrutura de parto passou a regredir, com fechamento frequente de clínicas pediátricas e falta de locais adequados para parto em muitas cidades.
As informações finais serão consolidadas em agosto, quando forem divulgados os números confirmados.
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