- Nigel Farage enfrentou críticas por trato considerado patronising com jornalistas mulheres, incluindo uma repórter do Guardian e a Anna Gross do Financial Times, apesar de alguns o elogiam pela postura diante da mídia.
- Casos anteriores de desrespeito a jornalistas mulheres são citados, como respostas a Mishal Husain e Camilla Tominey, alimentando a discussão sobre um possível padrão.
- Reform UK anunciou a contratação de James Orr, teólogo conservador antiaborto, para chefiar a política, e indicou a intenção de revogar a Equality Act no governo, o que gerou reação de opositores.
- Críticos dizem que o discurso de Farage contribui para uma tendência preocupante de deslegitimar a discussão sobre igualdade de gênero e direitos das mulheres, associando-o a estratégias inspiradas em Donald Trump.
- Pesquisas recentes mostram variação de apoio entre mulheres e homens à Reform UK, com menos mulheres apoiando o partido e temendo riscos do estilo de Farage, enquanto a resposta oficial do partido mantém que “a escrutínio é de mão dupla.”
Nigel Farage causou repercussão ao dizer a uma jornalista, durante um evento do Reform UK neste mês, que ela deveria escrever uma reportagem boba e que o jornal não leria. A fala gerou divisão: alguns a consideraram firmeza na entrevista, outros apontaram condescendência e misoginia.
Nos bastidores, a abordagem a uma repórter do Financial Times causou desconforto entre jornalistas de fora e de dentro do espectro político. Ao deixar o evento, um repórter sugeriu que Farage havia sido rude; o líder do Reform UK reagiu dizendo que houve aprovação entre parte da plateia.
Farage já havia sido alvo de críticas por tratar mulheres de forma condescendente. Em episódios anteriores, ele minimizou perguntas de Mishal Husain sobre riscos de ações militares e chamou de jogo “pequeno” a pergunta de Camilla Tominey sobre nomes para o leigo na direção econômica.
Reações e contextos
Jane Martinson, ex-presidente de uma associação de mulheres no jornalismo, associou as atitudes a uma influência de Donald Trump e a uma estratégia de deslegitimar a imprensa. Ela argumenta que o discurso de Farage tenta controlar a mensagem ao atacar a quem investiga.
A contratação de James Orr, teólogo de posição conservadora que se opõe ao aborto mesmo em casos graves, para chefiar a política do partido, despertou preocupações entre ativistas. Especialistas temem que o Reform busque dobrar o debate público em torno de direitos reprodutivos.
Na imprensa, figuras da esquerda também apontam que o partido pode atrair eleitorado masculino, mas perde apoio entre mulheres. Em termos de intenção de voto, ficou evidente uma queda de participação feminina em 2026, segundo pesquisas da organização More In Common.
Keir Starmer reagiu, dizendo que o objetivo de revogar a Equality Act seria chocante e prejudicial aos avanços legais para mulheres, o que alimenta o embate entre os projetos do governo e do Reform. Líderes trabalhistas defenderam a importância de proteção a igualdades no trabalho.
Paul Nowak, da Trades Union Congress, pediu uma frente comum contra o que chamou de traçoMisógino no Reform UK, destacando o risco político para o partido junto ao eleitorado feminino.
O Reform UK afirmou que Farage trata todos os jornalistas de forma igual e ressaltou que a fiscalização é mútua. A declaração foi publicada pela assessoria do partido.
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