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Um entra, um sai: o destino de requerentes de asilo devolvidos à França

Devoluções sob o acordo “um no, um fora” expõem refugiados à violência de contrabandistas e à incerteza de proteção, levando a novas tentativas de atravessar o Canal

A refugee folds his blanket at a migrant camp
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  • O esquema “one in, one out” troca uma pessoa que chega de barco por outra que vem legalmente para o Reino Unido; começou em setembro passado e, desde então, centenas foram devolvidas à França e semelhante número trazido ao Reino Unido, em dias relativamente moderados.
  • Na quinta-feira, dezenas de requerentes de asilo foram removidos à força para a França, apesar de alertas de risco de violência por traficantes. Muitos relatos indicam grande sofrimento, com lágrimas e até menção de ideação suicida.
  • Há temores de que, caso sejam “Dublinados”, sejam devolvidos aos seus países de origem, onde há risco de perseguição; alguns retornados ficaram em acomodações públicas na França, outros optaram por deixar o país.
  • Vítimas relatam que traficantes passaram a adaptar-se ao sistema, aumentando ameaças e, em alguns casos, forçando retorno ao trabalho para pagar dívidas ou facilitar novas travessias; há casos de desaparecimento de indivíduos.
  • Autoridades britânicas dizem que a questão é de responsabilidade da França; organizações internacionais questionaram a legalidade do programa, pedindo sua suspensão, enquanto famílias de retornados buscam notícias sobre parentes desaparecidos.

A política britânica conhecida como “one in, one out” começou a ser aplicada na passagem de setembro do ano passado, visando reter quem chega por pequenas embarcações ao Reino Unido e repassar alguém já autorizado a permanecer na França. A prática prevê devolver o viajante ao continente em troca da entrada de outro requerente de asilo no Reino Unido, que não tenha tentado atravessar o canal.

Desde então, centenas de pessoas já foram devolvidas à França e um número semelhante ganhou vias legais para permanecer no Reino Unido. Nesta apuração, a Guardian ouviu mais de uma dúzia de retornados, revelando impactos humanos e logísticos de uma operação que, segundo críticos, não considerou a segurança e a dignidade dos refugiados.

Em Calais, sinais de alerta foram erguidos pelo governo britânico para desencorajar novas travessias. A operação envolve a detenção de requerentes de asilo no Reino Unido antes de serem enviados de volta à França, onde ficam em abrigos ou acolhidos pelo estado, dependendo do caso.

O relato de quem já voltou para a França aponta riscos crescentes, incluindo violência de traficantes que se adaptaram ao novo sistema. Alguns retornados adoeceram ou entraram em situações de sofrimento emocional extremo, com diagnósticos de estresse pós-traumático e crises de ansiedade.

Entre os que retornam, muitos consideram que não há garantia de proteção estável na França. Há casos de pessoas que fugiram de regiões perigosas e enfrentam incerteza sobre possíveis encaminhamentos sob o regime Dublin. Em paralelo, há relatos de que alguns tentam novamente atravessar o canal ou se deslocam para outros países europeus.

Em termos humanos, o panorama inclui deslocamento interno, saída de comunidades para evitar violence, e nações diferentes oferecendo respostas diversas aos retornados. Alguns jovens, que estavam sob proteção de menor, enfrentam dúvidas quanto à idade declarada e à adequação de cada decisão administrativa.

Outra dimensão tratada pela reportagem envolve a atuação dos traficantes: retornados descrevem novas formas de coação, com ameaças e pressão para retornar a atividades ilegais ou realizar novas travessias, alimentando um ciclo de vulnerabilidade e medo.

Antes de qualquer decisão final, famílias aguardam notícias, com relatos de desaparecimentos ou de falta de contato com parentes. Há relatos de mensagens de apreensão sobre o destino de filhos ou irmãos que voltaram à França, enquanto as autoridades de dois países mantêm posições oficiais distintas sobre a aplicação do acordo.

Panorama e próximos passos

A negociação entre Reino Unido e França para o programa continua sob escrutínio internacional. Organizações de direitos humanos pedem a suspensão da medida, citando riscos de violação ao direito internacional e à proteção de refugiados. Fontes oficiais não comentaram sobre possíveis mudanças imediatas na política.

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