- Famílias imigrantes estão detenidas no centro de Dilley, no Texas, com centenas de crianças, sob denúncias de condições consideradas degradantes e de acesso irregular a água, comida e assistência médica.
- Habiba Soliman, que chegou com a mãe e cinco irmãos, foi separada da família após completar dezoito anos, em suposta represália por denunciar as condições do centro; há relatos de dificuldades para ver os irmãos e a mãe.
- Pacientes, inclusive crianças de cinco a 16 anos, enfrentam atrasos em atendimentos médicos; houve casos de crises, medicamentos e equipamentos retidos, e relatos de alimentação de má qualidade e supervisionamento inadequado.
- O centro, administrado pela CoreCivic, reabriu em 2025 e abriga aproximadamente três mil e quinhentas pessoas desde então; a situação reforça críticas ligadas ao acordo Flores, que define quarenta dias como limite para detenção de menores, mas há registros de permanência superior a um mês.
- Casos emblemáticos incluem a bebê Amalia, que teve agravamento de saúde e foi hospitalizada, mas devolvida ao centro com parte do tratamento interrompida; ativistas e advogados vêm solicitando a liberação das famílias por questões humanitárias e legais.
Habiba Soliman, de 18 anos, foi separada da família e transferida dentro do centro de detenção de Dilley, no Texas, após denunciar, por carta e nas redes, as condições vividas por crianças e adultos. Ela e os familiares foram encaminhados ao local em junho do ano passado, após o pai, Mohamed Soliman, ter participado de um incidente em Boulder, Colorado. A defesa alega que a separação é uma represália pela denúncia.
Desde a chegada ao centro, Habiba narra dificuldades extremas de convivência, sem escola para as crianças, sem brinquedos e com acesso irregular à assistência médica. O advogado Eric Lee argumenta que as regras do local prejudicam principalmente menores de idade, que dependem de visitas autorizadas e de poucos recursos.
De acordo com relatos de advogados e familiares, o ambiente em Dilley apresentaria problemas de higiene, alimentação inadequada e demora na obtenção de medicamentos. Há menção de agitação entre os pequenos, crises de choro e traumas decorrentes da permanência em um espaço com supervisão rígida e pouca transparência.
Condições no Centro de Dilley
O centro é administrado pela empresa CoreCivic e reabriu suas portas em 2025, com aumento no número de camas. Cerca de 3.500 detidos já passaram pelo local, mais da metade menores. O cumprimento do acordo Flores, que limita a detenção de crianças a 20 dias, é questionado por organizações investigativas.
Relatos de menores indicam que alguns aguardam mais de um mês para deixar o centro, com carteiras defasadas, alimentação repetida e pouca água. Casos de doenças respiratórias e episódios de desorientação entre os jovens foram descritos por representantes legais.
Casos clínicos e ações legais
Um dos casos relatados envolve um menino de cinco anos que sofreu crise de apendicite, sem atendimento imediato. A mãe relatou atrasos no cuidado médico e na entrega de medicamentos. Amalia, bebê de 18 meses, também ficou gravemente doente e precisou de internação, seguido da retirada de nebulizador e de suplementos após retorno ao Dilley.
A advogada Elora Mukherjee, da Columbia, apresentou ações legais para a liberação de famílias em risco de saúde. Em vários casos, interlocutores oficiais foram questionados sobre a qualidade da assistência médica e as condições de higiene no local.
Repercussão e próximos passos
A família de Habiba recebeu liberdade com fiança em setembro, mas houve reversão após recurso. A defesa tem arrecadado recursos para contestar a decisão judicial. Protestos de professores, vizinhos e defensores buscam melhorar as condições e levar ao fechamento de instalações semelhantes.
Fontes consultadas ressaltam que as denúncias sobre Dilley vêm ganhando contorno internacional, com cobertura de veículos de imprensa e organizações de direitos humanos. A situação continua a exigir monitoramento público e respostas administrativas claras.
Entre na conversa da comunidade