- O desemprego em Gaza é estimado em oitenta por cento, e a economia encolheu para treze por cento do tamanho anterior.
- Mesmo com ajuda internacional — cerca de 1,6 milhão de pessoas assistidas com alimentação e mil refeições diárias fornecidas pela World Central Kitchen — os itens básicos ainda são insuficientes.
- Produtos como frutas, verduras, carne e itens de uso doméstico chegam ao mercado, mas a preços extremamente altos.
- Pessoas como Mansour Mohammad Bakr, pescador, e Mohammed al-Far, antigo comerciante, afirmam que não há vagas de trabalho e que o dinheiro é essencial para tudo, desde transporte até serviços básicos.
- A situação humana continua grave, com famílias em acampamentos, infraestrutura danificada pela guerra e violência que persiste mesmo após trégua.
Mansour Mohammad Bakr, 23, deixa pela manhã o quarto alugado em Gaza City para buscar trabalho. Ele vive com a esposa grávida e duas filhas pequenas, perto do porto e das ondas do Mediterrâneo, tentando retomar a própria vida após anos de pesca.
Antes da última guerra, Bakr partilhava barco e equipamento com a família. Hoje, os irmãos morreram, o pai está idoso e os utensílios foram destruídos. O desemprego na região é alto e a necessidade de dinheiro é constante.
A crise não é apenas de renda. Grandes quantidades de mercadorias, como frutas, legumes, carne e itens domésticos, chegam aos mercados, mas com preços exorbitantes. Trabalhadores de saúde alerta para o custo elevado dos itens básicos.
Mohammed al-Far, 55, morador de al-Mawasi, relata que a família recebe apenas uma refeição diária de organizações humanitárias. Ele cita despesas com transporte, higiene e alimentação como principais limites à sobrevivência.
A taxa oficial de desemprego em Gaza é estimada pela ONU em 80%, com a economia reduzida a cerca de 13% do tamanho anterior. A violência e a destruição continuam a impactar a assistência e o comércio local.
Dados da ONU indicam que o PIB per capita de Gaza caiu para 161 dólares anuais em 2024, cenário que agrava a dependência de ajuda externa. Infraestruturas de saneamento, transporte e energia foram danificadas ou destruídas.
Mesmo quem possui qualificações, como Bisan Mohammad, formada em ciências laboratoriais, enfrenta dificuldades. Ela vive em tenda com a família em Nuseirat e descreve a dificuldade de encontrar emprego estável.
O cessar-fogo de outubro não freou a crise humanitária. Atividades de combate retornam e aumentam o risco para moradores. As estatísticas de vítimas civis permanecem elevadas desde o início do conflito.
Organizações internacionais sinalizam que o comércio local se intensificou, porém a população continua dependente de dinheiro para pagar transportes, contas de serviços e itens de primeira necessidade. A situação permanece frágil e imprevisível.
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