- Quase metade das brasileiras já sofreu assédio no carnaval, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva.
- A maioria teme sofrer assédio e passa a planejar a festa com estratégias de proteção, como andar em grupo e evitar trajetos.
- O carnaval revela desigualdades e a organização do espaço público depende de ciência pública, dos organizadores e de campanhas de prevenção.
- Embora haja consenso sobre combater o assédio, ainda existem crenças que normalizam a invasão e a violência contra a mulher.
- A festa precisa equilibrar liberdade e respeito, com regras claras, ação do Estado e respostas rápidas para incluir todas as pessoas.
O carnaval é uma expressão cultural que envolve a rua como palco, circulação econômica e encontro comunitário. A festa sintetiza a diversidade e a capacidade de transformar dificuldades em criatividade, abrindo espaço para identidades compartilhadas.
Entretanto, o período também expõe problemas. Uma pesquisa do Instituto Locomotiva aponta que quase metade das brasileiras já passou por situações de assédio durante o carnaval, revelando dimensões de insegurança no espaço público.
A maior parte das mulheres teme sofrer assédio nesse período, o que altera a experiência da folia e leva a estratégias de proteção, como andar em grupo, evitar trajetos e escolher horários mais seguros.
Desigualdade e risco
A ocupação da rua não é neutra: desigualdades estruturais emergem com força durante a celebração, exigindo gestão de risco por parte de quem frequenta o carnaval e de quem regula o espaço público.
A pesquisa mostra ainda que, embora haja consenso sobre combater o assédio, persistem crenças que naturalizam invasões, como leitura de roupas ou de beijos como brincadeira, dificultando mudanças de comportamento.
Responsabilidade coletiva
Organizadores, poder público e comunidade precisam atuar juntos para reduzir ocorrências. Campanhas de prevenção devem ser acompanhadas de regras claras, acolhimento, orientação e respostas rápidas quando incidentes ocorrem.
O texto enfatiza que a defesa do carnaval passa pela garantia de convivência no espaço público, com liberdade combinada a respeito e proteção para todas as pessoas, especialmente mulheres.
Publicado na edição n° 1400 de CartaCapital, em 18 de fevereiro de 2026. Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título Mulher(es) e assédio no carnaval.
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