- Estudo com quase dois mil participantes (média de 80 anos) encontrou associação entre atividades intelectuais ao longo da vida e menor risco de Alzheimer e declínio cognitivo.
- Quem esteve no nível mais alto de enriquecimento cerebral teve 38% menos risco de Alzheimer e 36% menos risco de MCI (déficit cognitivo leve) em comparação com o nível mais baixo.
- O Alzheimer apareceu em 21% dos participantes com maior enriquecimento, contra 34% entre os com menor enriquecimento.
- Os autores indicam que o Alzheimer foi, em média, diagnosticado aos 94 anos no grupo de maior enriquecimento, versus 88 anos no grupo de menor enriquecimento (atraso superior a cinco anos); para MCI, 85 anos vs 78 anos (diferença de sete anos).
- Entre os que faleceram e tiveram autópsia, os com maior enriquecimento apresentaram memória e raciocínio melhores e declínio mais lento antes da morte; estudo observa limitações como memórias retrospectivas.
A pesquisa, conduzida por pesquisadores da Rush University Medical Center, nos Estados Unidos, aponta que leitura, escrita e aprender um novo idioma podem reduzir o risco de dementia em quase 40%. O estudo analisou atividades intelectualmente estimulantes ao longo da vida e o impacto na doença de Alzheimer, a forma mais comum de demência. A publicação ocorreu na revista Neurology.
A equipe acompanhou 1.939 pessoas com média de idade de 80 anos, sem demência no início, por cerca de oito anos. Os participantes relataram hábitos cognitivos em três fases da vida: antes dos 18, entre 18 e 60 e aos 80 anos ou mais. Ao final, foram observadas relações entre enriquecimento cognitivo e incidência de demência.
Resultados mostram que os 10% com maior enriquecimento ao longo da vida tiveram menor incidência de Alzheimer (21%) em comparação aos 10% com menor enriquecimento (34%). Após ajustes, o risco relativo caiu 38% para Alzheimer e 36% para o comprometimento cognitivo leve.
Enriquecimento ao longo da vida e atraso na doença
Os que apresentaram maior enriquecimento desenvolveram Alzheimer em média aos 94 anos, contra 88 anos nos com menos enriquecimento. O atraso similar foi de sete anos para o MCI, com média de 85 versus 78 anos.
Além disso, autópsias mostraram que maior enriquecimento estava associado a memória e raciocínio melhores e declínio mais lento antes da morte. Limitações incluem relatos de memória dos próprios participantes, que podem ter falhas.
Implicações e limitações do estudo
Os autores destacam que o estudo descreve associação, não causalidade. Mesmo assim, defendem que ambientes enriquecedores, como bibliotecas e educação contínua, podem ajudar a reduzir a incidência de demência. A comunidade científica ressalta que manter atividade mental é uma estratégia significativa.
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