- Conselheiros familiares e líderes religiosos falam da chamada “crise silenciosa” no casamento, quando a relação parece estável, mas há esvaziamento afetivo e redução de intimidade.
- O pastor Alberto Kenji descreve casamentos cristãos em que não há brigas, mas o casal vive em silêncio e de forma indiferente.
- Especialistas alertam que silêncio não equivale a harmonia; muitos casais parecem bem na igreja, porém enfrentam dificuldades reais.
- Entre as causas, mencionam-se mágoas não expressas, medo de iniciar conversas, foco nas falhas do cônjuge e uso excessivo de redes sociais e dispositivos.
- Recomenda-se diálogo claro, atitudes concretas, mais elogios, menos críticas, tempo de qualidade e tratar assuntos complexos sem agressividade; a restauração começa quando alguém dá o primeiro passo.
Conselheiros familiares e líderes religiosos alertam para a chamada crise silenciosa no casamento, um distanciamento emocional que ocorre mesmo sem brigas visíveis. O fenômeno envolve perda progressiva de intimidade, comunicação e conexão entre cônjuges. A leitura comum é de convivência estável, porém marcada pelo vazio afetivo.
Em entrevista à Comunhão, o pastor Alberto Kenji, da Igreja Batista Nova Vida, em São Caetano do Sul (SP), descreveu casamentos sem conflitos aparentes, mas com silêncio profundo entre os parceiros. Para ele, não há violência, porém há afastamento crescente e sensação de solidão.
O pesquisador pastoral Edson de Faria chama atenção para a interpretação desse silêncio. Para ele, ausência de discussão não significa harmonia; muitos casais frequentam a igreja e dizem estar bem, quando na prática enfrentam dificuldades não reveladas. Essa leitura é corroborada por relatos de líderes que acompanham famílias.
Entre as causas apontadas estão mágoas não expressas, receio de iniciar conversas por desconfiança de desentendimentos, críticas repetidas às falhas do outro e excesso de tempo dedicado a redes sociais e dispositivos digitais em vez de diálogo presencial.
Sob o prisma bíblico, a leitura é de que o silêncio emocional não é apresentado como virtude. Segundo Efésios 4:26, é preciso resolver divergências para evitar que a ira persista, e os pastores destacam que enfrentamento é necessário, não omissão.
Para o pastor Silvio Martinez, a solução passa pelo diálogo. Ele afirma que a comunicação franca e verdadeira exige que cada um ouça com atenção, lembrando que a indiferença é o antônimo do amor e pode se instaurar com o afastamento gradual.
O maior risco, segundo Alberto Kenji, é o abandono interno da relação. Quando não há discussão, pode haver quem tenha aberto mão da convivência, mantendo-se sob o mesmo teto sem se reconhecer como casal.
Os conselheiros sugerem reorientar o relacionamento para uma prática de amor ativo, que envolve atitudes e responsabilidade individual. Se apenas o outro mudar, nada muda; o primeiro passo precisa partir de alguém.
Medidas práticas incluem retomar diálogos significativos, oferecer mais elogios, reduzir críticas, reservar tempo de qualidade e abordar temas complexos sem agressividade. O objetivo é extinguir o silêncio com comunicação efetiva.
Especialistas ressaltam a importância do tempo adequado para conversas, evitando momentos de cabeça quente. O casamento é visto como processo contínuo, com o diálogo como ferramenta constante para a reaproximação.
O tema deixa como questionamento prático a continuidade do compromisso diário. O foco não é uma conclusão, mas o que cada parceiro faz hoje pelo relacionamento para evitar o silêncio como alerta de afastamento.
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