- Fafo parenting ganhou atenção online como uma reação ao “gentle parenting”, com vídeos no TikTok mostrando exemplos de práticas mais duras, como jogar o iPad de uma criança pela janela (video de Paige Carter, com milhões de visualizações).
- Outro vídeo mostra uma mãe fechando a porta ao ver a criança sair de casa, para depois reabrir enquanto a criança reage, alegando que a criança aprendeu o significado de Fafo.
- O debate aponta prós e contras: defensores dizem que ensina independência e consequências reais; críticos afirmam que depende de medo e humilhação e pode comprometer a confiança.
- Especialistas ressaltam que Fafo pode funcionar quando há limites claros, mas risco emocional de isolamento e vergonha se os adultos se tornam pouco presentes durante as consequências.
- A ideia de estilos de crianção divide-se entre nostalgia de décadas passadas e polarização online, com Fafo associada a debates culturais e, por vezes, a uma “guerra” entre abordagens parentais.
O movimento de criação de filhos conhecido como Fafo ganhou destaque após vídeos virais nas redes sociais, especialmente no TikTok. Em um vídeo, Paige Carter, moradora da Flórida, mostra que jogou o iPad da filha pela janela por mau comportamento no caminho para a escola, recuperando o tablet com a tela rachada. A publicação acumula milhões de visualizações e comentários que celebram a prática.
Outro exemplo mostra uma mãe que, ao ouvir a declaração de que o filho iria embora de casa, fecha a porta, apaga a luz externa e só reabre a porta quando a criança retorna, com a justificativa de transmitir o significado de Fafo. As imagens alcançaram milhões de curtidas, alimentando o debate público.
Em entregas do meio, o Wall Street Journal associou o Fafo ao que seria o fim da chamada criação “gentil”. Esse estilo, visto há cerca de uma década, surgiu em resposta a abordagens mais autoritárias da educação infantil, que teriam gerado efeitos diversos na vida adulta. A reação contra a educação afetuosa vem ganhando espaço online, onde extremos ganham visibilidade.
Especialistas divergem sobre os efeitos. Pesquisadores afirmam que a prática pode promover independência e compreensão de consequências, desde que haja limites claros. Críticos argumentam que o uso intenso de medo e humilhação pode comprometer a confiança entre pais e filhos, com impacto emocional.
A psicóloga Maryhan Munt aponta que é possível aceitar consequências naturais sem abandonar o papel paterno ou materno. Ela ressalta a importância de estabelecer limites e oferecer suporte, evitando que o distanciamento emocional substitua a orientação adequada.
Para a psicóloga Emma Svanberg, o Fafo pode ser uma reação à exaustão gerada pelo excesso de validação emocional na criação atual. Ela alerta que posicionamentos extremos online podem distorcer a compreensão de educação parental, alternando entre envolvimento excessivo e distanciamento.
A prática também é discutida do ponto de vista sociocultural. A professora Ellie Lee observa que estilos de criação se tornam marcas identitárias em debates públicos, com possíveis conotações políticas presentes em algumas discussões associadas ao movimento Fafo. O tema se conecta a questões amplas sobre controle parental, espaços de autonomia infantil e apoio familiar na sociedade contemporânea.
Além disso, relatos de mães que se identificam com Fafo indicam que a abordagem não é sinônimo de negligência. Em muitos casos, envolve permitir que a criança enfrente consequências adequadas à idade e, ainda assim, manter diálogo, explicação e supervisão proporcionais aos acontecimentos.
No Brasil, internautas acompanham o tema com interesse e ceticismo, observando como estilos de educação se chocam com práticas de atenção contínua aos filhos. Especialistas ressaltam que o equilíbrio entre limites e empatia continua sendo central para o desenvolvimento saudável, independentemente do rótulo usado.
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