- A cotorra argentina, espécie invasora da América do Sul, avança na Europa a uma taxa de 33,2 quilômetros por ano, especialmente na Espanha.
- A introdução da ave como animal de estimação é um dos principais fatores para sua proliferação.
- Um estudo recente identificou áreas de risco para a invasão global da cotorra, destacando a necessidade de medidas preventivas em países como Austrália e Nova Zelândia, onde a espécie ainda não se reproduz.
- A pesquisa utilizou um modelo matemático com 25 variáveis e concluiu que mais de 54% da invasão está relacionada à atividade humana.
- O controle da população de cotorra tem sido desafiador, com campanhas em Madrid e Zaragoza gerando polêmica e resultados variados.
A cotorra argentina, uma espécie invasora originária da América do Sul, continua a se espalhar pela Europa, especialmente na Espanha, onde avança a uma taxa de 33,2 quilômetros por ano. A introdução da ave como animal de estimação é um dos principais fatores que contribuem para sua proliferação. Um estudo recente, que analisou o avanço da cotorra em várias regiões do mundo, identificou áreas de risco para sua invasão, destacando a necessidade de medidas preventivas em países como Austrália e Nova Zelândia, onde a espécie ainda não se reproduz.
Os pesquisadores utilizaram um modelo matemático que considerou 25 variáveis, incluindo fatores climáticos e humanos, para prever a expansão da cotorra. Antonio Román Muñoz, professor da Universidade de Málaga e um dos autores do estudo, afirmou que mais de 54% da invasão está relacionada à atividade humana, com a compra de cotorra como animal de estimação em áreas urbanas densamente povoadas. Em Málaga, muitos proprietários abandonam as aves devido ao barulho excessivo.
O estudo, publicado na revista *Ornithological Applications*, alerta que, se não forem tomadas medidas, a cotorra pode se estabelecer em áreas naturais e agrícolas, causando danos significativos. Na Espanha, a espécie já é considerada uma praga, afetando a agricultura e causando problemas em infraestruturas. Em outras partes da Europa, como França e Alemanha, a cotorra ainda está em áreas limitadas, mas as condições são favoráveis para sua colonização.
Risco Global
Além da Europa, países asiáticos como Omã, Iémen e Malásia também estão sob ameaça, embora não tenham registros oficiais de avistamentos. A pesquisa sugere que a chegada da cotorra a esses locais pode ocorrer através do comércio internacional, uma vez que a importação de aves silvestres é uma prática comum. O estudo destaca que a dispersão natural da cotorra é improvável, mas a colonização por países vizinhos, como Argelia, é uma possibilidade real.
A gestão da população de cotorra argentina tem sido desafiadora. Em Madrid, uma campanha de controle reduziu a população de 13 mil para 10 mil aves, mas gerou polêmica. Em Zaragoza, uma ação bem-sucedida eliminou uma colônia de 900 indivíduos, mantendo a área livre da espécie. O controle da cotorra é complexo, pois a ave é apreciada por muitos, o que dificulta a aceitação de medidas de erradicação.
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