Um estudo recente mostrou que o coral-cérebro Mussismilia hispida, encontrado no Arquipélago de Alcatrazes, no litoral de São Paulo, retém cerca de 20 toneladas de carbono por ano, o que equivale à emissão de 324 mil litros de gasolina. Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo usaram tomografia computadorizada para medir o crescimento do coral e descobriram que ele produz 170 toneladas de carbonato de cálcio anualmente, ajudando a reduzir o efeito estufa. A taxa de crescimento dos corais em Alcatrazes é maior do que se esperava, semelhante à de corais de regiões tropicais. Os cientistas ainda estudam por que esses corais não formam grandes recifes, sugerindo que podem ter chegado à área há 2 mil a 3 mil anos ou que tempestades frequentes danificam as colônias. O Refúgio de Vida Silvestre de Alcatrazes é importante para o sequestro de carbono e proteção de espécies marinhas, pois os corais podem absorver mais carbono do que emitem. O carbonato de cálcio gerado por esses corais pode ficar no fundo do mar por muito tempo, ajudando a combater as mudanças climáticas.
André Julião | Agência FAPESP – Um estudo recente revelou que a espécie de coral-cérebro Mussismilia hispida, encontrada no Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes, no litoral sul de São Paulo, retém cerca de 20 toneladas de carbono anualmente. Esse volume é equivalente à emissão resultante da queima de 324 mil litros de gasolina. A pesquisa, publicada na revista *Marine Environmental Research*, foi conduzida por cientistas do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (IMar-Unifesp), com apoio da FAPESP.
Os pesquisadores utilizaram tomografia computadorizada para analisar as colônias de coral e calcular a taxa de crescimento anual. Estimou-se que essas colônias produzem 170 toneladas de carbonato de cálcio (CaCO3) por ano, contribuindo para a mitigação do efeito estufa. O carbonato de cálcio, composto por cálcio, oxigênio e carbono, é fundamental para o sequestro de carbono.
Luiz de Souza Oliveira, primeiro autor do estudo, destacou a dificuldade em medir o crescimento do coral, superada pela tecnologia de tomografia. Os dados foram coletados entre 2018 e 2023, permitindo uma estimativa precisa da produção de carbonato de cálcio e do carbono armazenado.
Crescimento Surpreendente
A taxa de crescimento dos corais-cérebro em Alcatrazes foi considerada maior do que o esperado, comparável à de corais de regiões tropicais. Guilherme Henrique Pereira Filho, coordenador do LABECMar, observou que os corais subtropicais são geralmente vistos como marginais, mas os resultados desafiam essa visão.
Os pesquisadores ainda investigam por que os corais de Alcatrazes não formam grandes recifes. Uma hipótese sugere que eles chegaram à região há 2 mil a 3 mil anos, não tendo tempo suficiente para formar estruturas maiores. Outra possibilidade é a maior incidência de tempestades, que danificam as colônias.
Importância Ecológica
O estudo revela que o Refúgio de Vida Silvestre de Alcatrazes desempenha um papel crucial no sequestro de carbono, além da proteção de espécies marinhas. Os corais, ao não formarem grandes recifes, podem atuar como sumidouros de gases do efeito estufa, absorvendo mais carbono do que emitem.
Além disso, o carbonato de cálcio gerado pelos corais e outros organismos marinhos pode permanecer no fundo do mar por séculos ou milênios, contribuindo para a mitigação das mudanças climáticas. O projeto, que integra a Unifesp, o ICMBio e a Petrobras, destaca a importância de valorizar áreas como Alcatrazes não apenas pela proteção da biodiversidade, mas também pelos serviços ecossistêmicos que oferecem.
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