Pesquisas recentes publicadas em 5 de março na revista Neurology revelam que o estresse crônico é um fator de risco significativo para acidente vascular cerebral (AVC), com impacto mais acentuado em mulheres do que em homens. O estudo, conduzido por pesquisadores do Helsinki University Hospital, analisou 426 pacientes que sofreram um AVC isquêmico criptogênico, comparando-os […]
Pesquisas recentes publicadas em 5 de março na revista Neurology revelam que o estresse crônico é um fator de risco significativo para acidente vascular cerebral (AVC), com impacto mais acentuado em mulheres do que em homens. O estudo, conduzido por pesquisadores do Helsinki University Hospital, analisou 426 pacientes que sofreram um AVC isquêmico criptogênico, comparando-os a um grupo controle da mesma faixa etária e sexo. Os participantes, com idades entre 18 e 49 anos, completaram um questionário de autoavaliação de estresse, o Perceived Stress Scale (PSS), que classificou seus níveis de estresse em baixo, moderado e alto.
Os resultados mostraram que os sobreviventes de AVC relataram uma média de 13 pontos no PSS, enquanto o grupo controle obteve 10 pontos. Aproximadamente 46% dos sobreviventes apresentaram níveis de estresse moderado a alto, em comparação com 33% do grupo controle. Ao controlar fatores tradicionais de risco de AVC, a pesquisa revelou que o estresse moderado estava associado a um aumento de 78% no risco de AVC entre mulheres, enquanto o estresse alto não demonstrou aumento significativo de risco para este grupo. Para os homens, não houve correlação observável entre estresse e risco de AVC.
A Dra. Sarah Lindsey, professora associada de farmacologia na Tulane University, destacou que este estudo é pioneiro ao sugerir que o estresse pode reduzir a proteção cardiovascular normalmente observada em mulheres. No entanto, os pesquisadores enfatizaram que as descobertas indicam uma associação, não uma causalidade. O Dr. Nicolas Martinez-Majander, do Helsinki University Hospital, ressaltou a necessidade de mais pesquisas para entender por que as mulheres estressadas apresentam maior risco de AVC em comparação aos homens.
Além disso, o estudo levanta questões sobre os fatores sociais que podem contribuir para o estresse elevado em mulheres, que frequentemente assumem papéis de cuidadoras e equilibram múltiplas responsabilidades. A Dra. Christina Mijalski Sells, professora associada de neurologia na Stanford Medicine, observou que as mulheres podem carregar o peso das responsabilidades familiares, mesmo em lares de dupla renda. O estudo, embora revelador, não abordou fatores como raça e tipo de trabalho, que também podem influenciar os níveis de estresse.
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