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Leis básicas dos EUA não regulam mineração em águas profundas, dizem especialistas

Especialistas alertam que leis básicas dos EUA para mineração no mar profundo não asseguram proteção ambiental nem responsabilidade financeira, enquanto leilões avançam

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  • Regulamentação dos garimpos no leito marinho dos EUA está defasada, com normas atuais oferecendo pouca salvaguarda ambiental, financeira e de capacidade operacional.
  • O governo dos EUA está avançando com leilões de blocos no leito marinho em águas federais, com a primeira venda prevista para agosto, em American Samoa, seguida de CNMI e Alasca.
  • Países e territórios próximos já adotaram medidas contrárias, como moratórias e leis de proibição, temendo danos ambientais irreversíveis.
  • especialistas apontam que a estrutura regulatória existente, baseada em leis de 1953 e 1982, não moderniza nem fortalece proteções; há falta de avaliação técnica de expertise e de responsabilidade ambiental.
  • Há preocupação de que, ao enfatizar minerais críticos por motivos de segurança nacional, possam surgir isenções regulatórias semelhantes às usadas para outras atividades, abrindo espaço para flexibilizações.

O debate sobre mineração de fundo do mar ganha espaço nos EUA, mas a estrutura regulatória vigente é considerada insuficiente para acompanhar o avanço do setor. No governo federal, autoridades planejam licitações de áreas no leito marinho já neste ano. O objetivo é explorar recursos críticos em águas federais.

Em abril de 2025, a administração Trump sinalizou a intenção de competir pela mineração no fundo do oceano com uma ordem executiva. Em abril de 2026, o Departamento do Interior anunciou planos de realizar uma série de leilões de blocos de solo marinho ao longo deste ano e de 2027. O primeiro leilão está previsto para agosto, em American Samoa, seguido por CNMI e Alasca.

Critérios regulatórios atuais são considerados rasos por especialistas. Há pouca exigência ambiental, de responsabilidade financeira ou de comprovação de capacidade operacional em ambientes de grande profundidade. O arcabouço existente é visto como insuficiente para assegurar proteção ambiental e segurança operacional.

Regulação e Acompanhamento

A regulação para águas internacionais fica a cargo da International Seabed Authority (ISA), ainda em desenvolvimento de um código de mineração. Nos EUA, a mineração seria regida pela Deep Seabed Hard Mineral Resources Act em águas internacionais e pela Outer Continental Shelf Lands Act (OCSLA) em águas federais. Ambos foram criados há décadas e não contemplam plenamente as particularidades da atividade.

No âmbito doméstico, a BOEM, ligada ao DOI, mantém regras antigas que não exigem demonstração robusta de aptidão das empresas ou garantias financeiras suficientes para danos ambientais. Profissionais destacam ainda a falta de pessoal com profundo conhecimento técnico sobre mineração em grande profundidade.

Em fevereiro, a BOEM publicou propostas de revisões administrativas às regras da OCSLA, para simplificar procedimentos e acelerar prospecção, leilões e operações. Críticos veem as mudanças como insuficientes e apontam potencial enfraquecimento de salvaguardas, incluindo etapas de consulta comunitária.

Riscos e Desdobramentos

Especialistas alertam que a assinatura de um lease é estável e pode dificultar descontinuação de contratos por futuras administrações, com custo para o erário caso haja cancelamento. Observadores lembram o histórico de políticas de energia e recursos promovidas pela atual gestão.

Advogados e acadêmicos destacam ainda o risco de isenções regulatórias sob a justificativa de segurança nacional, o que poderia afetar proteções ambientais. A avaliação de impactos ambientais e de espécies sensíveis pode ficar ainda mais complexa diante dessas possibilidades.

No cenário regional, governos de territórios como American Samoa e Guam já adotaram restrições, incluindo moratória e banimentos específicos, dificultando operações próximas às suas zonas. Tais medidas elevam a tensão entre o impulso de desenvolvimento de minerais críticos e a proteção ambiental local.

O governo federal afirma que as revisões regulatórias buscam alinhar exploração de minerais críticos com metas de segurança nacional e progresso tecnológico. Não houve resposta oficial sobre as preocupações com lacunas regulatórias ou com a expertise necessária para supervisionar a atividade.

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