- Comunidades menonitas expandem as fronteiras agrícolas na região, derrubam florestas e abrem estradas que atraem outros colonos, consolidando a transformação do landscape.
- A Bolívia tem o caso mais bem documentado: ocolônia Tres Palmas surgiu em 1954 e, até os anos noventa, houve dezenas de colônias com desmatamento direto estimado em cerca de 1 milhão de hectares.
- A prática envolve compras formais de terras, mas a proveniência costuma ser questionável, com títulos frequentemente ligados a fraudes; o manejo das áreas substitui completamente o ecossistema original.
- Novas colônias já se formam no Peru e na Colômbia; o Brasil apresenta exceção marcante, pois não abriga colônias menonitas devido à legislação, revelando lacunas de política pública.
- A matéria defende engajamento multisetorial: reformar mercados de imóveis rurais, incluir territórios controlados por menonitas na monitoria de desmatamento, aplicar regras de conservação a todos os proprietários rurais e estabelecer diálogo cultural com as lideranças das colônias.
Por décadas, comunidades Mennonitas têm atuado como vetores da expansão de fronteiras agrícolas na América do Sul, especialmente no Gran Chaco e na Amazônia Andina. A prática envolve desmatamento sistemático, drenagem de áreas úmidas e estabelecimento de colônias planejadas, com impactos que vão além de cada povoação.
As colônias migrantes organizam-se de forma estruturada: compra de grandes blocos de terra, divisão em lotes para famílias, estradas em grade, igreja e escola no centro. O resultado imediato é a conversão de floresta em landscape agrícola, com efeitos indiretos na região.
O estudo analisa como esse modelo, apesar de legal, facilita o desmatamento de extensa área. Em Bolívia, o caso é o mais documentado, com indícios de que cerca de 1 milhão de hectares foram desmatados por colonos Mennonitas até o fim dos anos 1990.
Contexto
A origem Mennonita remonta à Reforma europeia, com ênfase em vida comunitária e separado da sociedade em geral. No interior dos países, as colônias funcionam como governança, crédito e assistência social, sob uma crença de relação responsável com a terra.
Em Bolivia, o desmatamento ligado às colônias se dá por meio de demarcações públicas e privadas, com aquisição de terras por meio de transações formais. A prática costuma envolver informações de procedência duvidosa e superfícies extensas para cultivo mecanizado.
A expansão envolve culturas como soja, sorgo, trigo e milho, com uso intensivo de defensivos e fertilizantes. A transformação do manejo da água e a perda de habitats ameaçam a biodiversidade local e a conectividade hidrológica.
Desdobramentos e geografia
O fenômeno também se observa em Peru, com pelo menos cinco novas colônias nas regiões de Ucayali e Loreto, onde a fronteira florestal é menos regulamentada. Em Colombia, quatro colônias surgiram nas savanas do Orinoco após o acordo de paz de 2016, em áreas de acesso restrito.
Ao mesmo tempo, Brasil permanece sem colônias Mennonitas, devido a restrições constitucionais e legais à posse de terras por estrangeiros, o que impede grandes blocos de compra. A ausência brasileira molda a visão de políticas de conservação na região.
Caminhos e implicações
Especialistas defendem ações integradas: reformar o mercado imobiliário rural, incluir territórios Mennonitas em monitoramento de desmatamento e aplicar regras de conservação a todos os proprietários privados. Também é apontada a necessidade de diálogo informado com conselhos das colônias.
A conclusão prática desse quadro é que as colônias operam com legalidade formal, mas exibem footprint ecológico substancial e de difícil reversão. A efetividade de políticas exige abordagens culturalmente sensíveis e engajamento contínuo com as comunidades.
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