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Projetos geotérmicos da Indonésia estagnam por preocupações indígenas com justiça

Geotermia em Flores é suspensa por resistência indígena e falha no FPIC, com riscos à saúde, às terras e aos meios de vida

Villagers opposing geothermal development report dozens of confrontations, including a 2024 incident in which protesters and a journalist were beaten and detained by security forces. Image courtesy of Sunspirit Flores/Floresa.co.
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  • A ilha de Flores, no leste da Indonésia, teve projetos geotérmicos suspensos devido à resistência indígena Manggarai e a preocupações com justiça e segurança.
  • O esforço, apoiado por financiadores internacionais como o Banco Mundial e o KfW, foi apresentado em 2017 como vitrine de energia limpa.
  • Um estudo recente aponta que, oito anos depois, projetos-chave seguem paralisados por oposição das comunidades, citando riscos à saúde, perdas de terra e decisões pouco claras.
  • As comunidades de Wae Sano e Poco Leok defendem o conceito de ruang hidup (espaço de vida) que envolve aspectos econômicos, culturais e espirituais ligados aos cemitérios, sítios rituais e terra agrícola.
  • Em dezembro de 2023 o Banco Mundial retirou o financiamento para perfuração exploratória em Wae Seno, e em novembro de 2024 o KfW recomendou a suspensão do projeto em Poco Leok; as atividades de exploração permanecem pausadas em 2025.

O arquipélago de Flores, no leste da Indonésia, vinha sendo apresentado como polo de transição para energia renovável. Quase uma década depois, projetos geotérmicos ficam suspensos por resistência local e questionamentos de justiça e segurança.

Em 2017, até 21 locais foram identificados para exploração geotérmica na ilha. O programa contou com financiadores internacionais como o Banco Mundial e o KfW, sendo visto como vitrine do uso limpo de energia.

Decisões recentes levaram à suspensão de dados projetos diante de resistência das comunidades Manggarai. Relatos apontam riscos de emissões geotérmicas à saúde, prejuízos à agricultura e falta de consentimento prévio das comunidades.

Contexto histórico e financiamento

A resistência ganhou força ao alinhavar o conceito de espaço de vida, ou ruang hidup, com o direito consuetudinário local, o adat. As comunidades dizem que a relação com terras envolve identidade, cultura e rituais.

Em dezembro de 2023, o Banco Mundial retirou o financiamento para perfurações exploratórias em Wae Seno, citando ausência de FPIC. Em novembro de 2024, o KfW recomendou suspender o projeto em Poco Leok pelos mesmos motivos.

Segurança, impactos e desdobramentos

Confrontos com forças de segurança foram relatados por moradores, incluindo prisões durante protestos em 2024. Um jornalista que cobria as cenas também foi detido e agredido.

Pesquisadores apontam que o caso ilustra um padrão de green extractivism, com riscos deslocados e lucros privados. A pesquisadora Cypri Jehan Paju Dale descreve zones de sacrifício que sustentam desenvolvimento nacional.

Até 2025, as atividades de exploração geotérmica em Wae Sano e Poco Leok permanecem pausadas, sem cancelamento formal. O tema segue sob análise de investidores, governo e comunidades locais.

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