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Muskox canadenses: dupla ameaça de doenças inéditas e clima

Ameaças simultâneas: doença emergente Arctic clone de Erysipelothrix rhusiopathiae e aquecimento climático pressionam muskoxen no Ártico canadense

Muskoxen on Ellesmere Island. As a species, muskoxen have been around for a million years and are often called “ice-age survivors.” Though they have one of the lowest levels of genetic diversity of any mammal, the full suite of immune-related genes are intact in the species, says muskox expert Anne Gunn.
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  • Entre 2009 e 2014 houve mortes massivas de muskoxen em Victoria e Banks Islands, causadas pela bactéria Erysipelothrix rhusiopathiae Arctic clone, levando Banks Island a reduzir de cerca de 37 mil animais em 2010 para menos de 14 mil em 2014.
  • Um programa de vigilância de saúde de vida selvagem, com abordagem de “duas visões”, reúne dados de caçadores e amostras para detectar surtos e preencher lacunas sobre doenças.
  • Em agosto de 2021, houve mortalidades em Ellesmere Island, com amostras coletadas ao longo de quatro verões para entender a origem e a transmissão do agente patogênico.
  • A brucelose, já presente em caribus na região, passou a ser encontrada também em muskoxen desde 2015, aumentando riscos de infecções e abortos nas fêmeas.
  • Hoje, a população mundial de muskoxen é de cerca de 141 mil, com aproximadamente 81 mil na Canadá; a região de Kugluktuk relata manejo saudável, enquanto Banks e Victoria Island continuam apresentando declínios sob influência de mudanças climáticas e doenças emergentes.

As regiões árticas do Canadá enfrentam duas ameaças simultâneas para o muskox, um dos icônicos animais da região: o surgimento de novas doenças e o impacto econômico do aquecimento global. Relatos de comunidades locais, pesquisadores e autoridades ambientais apontam para um quadro complexo que envolve saúde animal, segurança alimentar indígena e mudanças ecológicas.

O surto inicial ocorreu entre 2009 e 2014, quando carcaças de muskox foram encontradas em Victoria Island, sem sinais de predadores. Em Banks Island, cerca de 150 carcaças foram detectadas em 2012, levando a investigações mais aprofundadas. Estudo identificou a bactéria Erysipelothrix rhusiopathiae, chamada de Arctic clone, como causadora dessas mortes, sendo incomum em muskoxen.

A mortalidade na Banks Island caiu de 37 mil animais em 2010 para menos de 14 mil em 2014, após o surto. A descoberta gerou preocupação entre especialistas, que destacam a velocidade de disseminação e a novidade genética da cepa, com potencial de alta virulência em muskoxen.

Er Arctic clone: monitoramento recente

A partir de 2021, novas mortes foram observadas em Ellesmere Island, com equipes de pesquisa coletando amostras de fígado, rins, ossos e solo ao redor de carcaças. A bactéria demonstrou resistência e pode permanecer no solo por anos, sugerindo transmissão prolongada em ecossistemas remotos.

Estudos apontam que o Er Arctic clone também foi encontrado em carcaças de outras espécies, contudo a relação direta com óbitos nessas populações ainda não está completamente esclarecida. A origem da bactéria e sua rota de disseminação permanecem incertas, com hipóteses que vão desde transferência marinha até permafrost.

Paralelamente, pesquisadores destacam a emergência de brucellose em muskoxen, associada a caribus locais e já detectada em Victoria Island desde 2015. A doença, que afeta amamentação, reprodução e pode afetar humanos, reforça a necessidade de vigilância com participação comunitária.

Clima, alimento e fatores ambientais

Além das doenças, o aquecimento do Ártico intensifica pressões sobre os muskoxen. Verões mais quentes e secos reduzem fontes de água superficial e dificultam o resfriamento, elevando o estresse fisiológico. Pode haver deslocamento de populações para áreas mais sombreadas, alterando a ocupação de habitats.

Eventos de chuva sobre a neve, conhecidos como rain-on-snow, também dificultam o acesso a alimento, pois criam uma crosta que impede a busca por forragem. Histórico de eventos desse tipo já foi associado a mortalidades em Banks Island em anos anteriores, reforçando o papel de condições climáticas extremas.

A escassez de minerais traços, como selênio, em Victoria Island e em partes da terra firme, é outra preocupação. Mudanças no permafrost e na composição das plantas podem reduzir a disponibilidade desses nutrientes, afetando crescimento, reprodução e imunidade dos muskoxen.

Impacto humano e respostas locais

A recuperação inicial da população canadense, estimada em mais de 100 mil animais no início dos anos 1990, foi comprometida pelas novas ameaças. Comunidades locais, como Kugluktuk, participam ativamente de monitoramento, manejo de caça e coleta de amostras para pesquisa em parceria com universidades.

Entre as consequências práticas, destaca-se a necessidade de cautela na caça e no manuseio de animais infectados, bem como ajustes na segurança alimentar de comunidades que dependem do muskox como fonte de alimento. Em algumas áreas, o declínio levou a mudanças na coleta de caça tradicional.

Apesar das quedas, a população global de muskoxen é estimada em cerca de 141 mil animais, com parte significativa concentrada no Canadá. Especialistas enfatizam que o atual quadro é resultado de múltiplos fatores, incluindo doenças emergentes e variações climáticas, que demandam vigilância contínua e cooperação entre comunidades, governos e ciência.

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