- A Agência de Proteção Ambiental dos EUA propôs incluir microplásticos e fármacos na lista de contaminantes da água potável, abrindo caminho para possíveis limites regulatórios.
- A proposta não cria regras imediatas, mas inicia um processo com período de 60 dias para comentários públicos, com previsão de finalização até a metade de novembro.
- A iniciativa visa responder a preocupações públicas sobre a presença de plásticos e medicamentos na água e reforçar decisões regulatórias futuras.
- O movimento Maha de Robert F. Kennedy Jr. celebra como um passo inicial, ainda que haja ceticismo sobre avanços práticos e ações concretas.
- A lista de contaminantes em avaliação auxilia a priorizar pesquisas e financiamentos; o EPA costuma manter contaminantes na lista sem impor limites imediatamente.
O EPA propôs incluir microplásticos e fármacos na lista de contaminantes da água potável, pela primeira vez. A medida pode abrir caminho para novos limites para concessionárias de água. A proposta foi anunciada na quinta-feira, em Washington, durante apresentação oficial.
A autoridade ambiental apontou que a iniciativa responde a preocupações de famílias americanas sobre a qualidade da água que consomem. A medida também é vista como vitória simbólica para o movimento Maha, de Robert F. Kennedy Jr., que pressiona por aperfeiçoamentos no tratamento de contaminantes ambientais.
A lista de Contaminant Candidate List identifica poluentes não regulamentados pela Safe Drinking Water Act. O draft da sexta versão está aberto para consulta pública por 60 dias, com previsão de finalização até a metade de novembro.
A chefe interina da EPA, citada na divulgação, afirmou que a água potável é uma prioridade central para as famílias americanas. O anúncio ocorre em meio a debates sobre a presença de microplásticos no corpo humano e a possível relação com impactos à saúde.
Estudos recentes indicam a presença de microplásticos na água potável e em tecidos humanos, como coração e cérebro. Pesquisadores destacam a necessidade de entender os impactos na saúde, enquanto há preocupação com medicamentos excretados no organismo.
A EPA informou que a lista orienta pesquisas, financiamento e decisões regulatórias, mas não costuma remover contaminantes da lista para estabelecer limites de potabilidade. Em março, a agência informou que não criaria normas para nove poluentes já avaliados.
Especialistas citados pela comunidade ambiental veem a ação como começo de um processo longo, que pode não resultar em mudanças imediatas. Entidades de defesa ambiental veem a inclusão como passo inicial para regulamentação futura.
Empresas do setor químico apoiam a monitorização de microplásticos na água potável, desde que haja padronização nacional. Já grupos de consumo ressaltam a importância do escrutínio, mas consideram a medida apenas inicial.
A parceria entre Kennedy e o movimento Maha ganhou atenção após tensão com a EPA, com críticas à lentidão de ações sobre prioridades como regulação de pesticidas. Kennedy lançou ainda iniciativas para ampliar dados sobre poluentes microplásticos.
Kennedy anunciou um plano de financiamento de 144 milhões de dólares para ampliar a detecção, compreensão e remoção de microplásticos no corpo humano. O projeto Systematic Targeting of Microplastics visa desenvolver ferramentas de medição e consequências para a saúde.
A EPA sinalizou que terá uma agenda chamada Maha, com foco em contaminantes como substâncias químicas persistentes, poluição plástica, qualidade de alimentos, remediação de áreas contaminadas e tubulações de chumbo. A agenda estaria em etapas finais de definição.
A proposta surge em meio a discussões sobre tratado internacional para enfrentar a poluição plástica, nas quais os EUA têm posições divergentes. O movimento Maha tem defendido medidas mais firmes diante do avanço da produção de plástico.
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