- Estudo em Scientific Reports estima, pela primeira vez, o valor econômico dos serviços ecossistêmicos de raposas-voadoras australianas, destacando sua contribuição para a indústria de madeira.
- A área de influência das forrageações das quatro espécies estudadas sobe até 41,4 milhões de hectares, quase o tamanho da Suécia.
- Focando em 465 abrigo de raposas-voadoras cinzentas, os pesquisadores sugerem que esses morcegos ajudam a regenerar até 91,6 milhões de árvores por ano.
- O valor anual para a indústria de timber fica entre 271 milhões e 955 milhões de dólares australianos apenas pelo polinizamento, segundo os autores.
- Os autores ressaltam que as estimativas são conservadoras e não capturam o benefício maior para o ecossistema, nem contribuições à saúde do ecossistema e à sequestro de carbono.
Os morcegos-raposa voam na noite austral, movendo-se entre néctar e frutos. Um estudo recente em Scientific Reports quantifica, pela primeira vez, o valor econômico dos serviços ecossistêmicos que eles fornecem à Austrália, com foco na indústria de madeira.
A pesquisa usa dados de 1.209 roosts de quatro espécies continentais, aliados a mapas de habitat adequado para estimar o alcance dos serviços oferecidos pelos mamíferos. O resultado é o conceito de “Bat Ripple”, a extensão espacial de atuação dessas aves.
Os autores destacam que a área de influência pode alcançar até 41,4 milhões de hectares, quase o tamanho da Suécia, com impactos significativos na polinização e dispersão de sementes.
Valor econômico para a indústria de madeira
Ao focalizar 465 roosts da espécie cinzentado-nuzinho, estimativas indicam que os morcegos polinizam florestas de eucalipto em uma área de 36.038 km², contribuindo para a regeneração de árvores. A produção potencial chega a 91,6 milhões de árvores por ano.
Os resultados financeiros apontam que a pollinização feita pelos morcegos pode gerar entre 271 milhões e 955 milhões de dólares australianos anuais para a indústria de madeira. Os números consideram apenas o valor direto dessas ações.
Os autores ressaltam que as estimativas são conservadoras e não contemplam benefícios adicionais, como saúde do ecossistema e sequestro de carbono. O estudo utiliza dados da ciência australiana para embasar as cifras.
Desafios recentes e preservação
Recentes incêndios e episódios de estresse por calor reduziram colônias, com perdas superiores a 80% em algumas populações durante eventos extremos. A queda populacional acende o debate sobre conservação e manejo do enfoque ecológico.
Especialistas destacam que os morcegos percorrem milhares de quilômetros anualmente, espalhando pólen e sementes de forma ampla, o que amplifica seu papel na regeneração florestal. A despeito da percepção pública, o estudo reforça a relevância econômica e ambiental da espécie.
Ortega González, principal autor, afirma que não há analogia com outras espécies em termos de alcance de deslocamento noturno. O estudo reforça a importância de políticas de conservação para manter esses serviços ecossistêmicos.
Os autores sustentam que o valor identificado é apenas parte do benefício total para o ecossistema e para o setor de timber. A pesquisa destaca a necessidade de reconhecer a importância dos morcegos nas paisagens australianas.
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