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Impacto ambiental da IA: centros de dados geram ilhas de calor

Estudo aponta aquecimento de até 9,1 °C e ilhas de calor a até dez quilômetros de centros de dados de IA, afetando mais de 340 milhões

A drone view of a data centre campus of the AI infrastructure firm Nebius and Finnish developer Polarnode, ahead of the start of its construction, in a forest area in Pajarila, Lappeenranta, Finland May 26, 2025. Polarnode/Handout via REUTERS THIS IMAGE HAS BEEN SUPPLIED BY A THIRD PARTY MANDATORY CREDIT
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  • Estudo que analisou mais de seis mil centros de dados e 20 anos de dados de temperatura mostrou que a abertura de um centro de dados eleva a temperatura de superfície em média 1,8°C, com picos de até 9,1°C.
  • O aquecimento não ficou restrito ao local; houve incremento em um raio de até dez quilômetros, atingindo mais de 340 milhões de pessoas.
  • Regiões como Bahio, no México, e Aragão, na Espanha, apresentaram aumentos relevantes de temperatura ao longo das últimas duas décadas. O estudo interrompeu variações sazonais e outros fatores para isolar o efeito dos centros de dados.
  • Especialistas destacam a necessidade de mais pesquisas para confirmar os resultados e discutem a importância de soluções sustentáveis à medida que a expansão de centros de dados avança.

Os centros de dados que alimentam a Inteligência Artificial (IA) consomem grandes quantidades de energia e, segundo uma pesquisa recente, podem provocar aquecimento local significativo. O estudo aponta que o calor gerado por essas infraestruturas pode elevar a temperatura de áreas ao redor em até 10 quilômetros, impactando comunidades vizinhas. A investigação ainda está sujeita a revisão por pares e envolve colegiados acadêmicos.

A equipe comandada por Andrea Marinoni, professora associada do Grupo de Observação da Terra da Universidade de Cambridge, analisou o calor liberado pelas operações de centros de dados, incluindo sistemas de computação e refrigeração. A pesquisa revisou 20 anos de dados de temperatura de sensores remotos e as localizações de instalações de grande porte, os chamados hyperscalers, que ocupam grandes áreas.

A amostra considerou mais de 6 mil centros de dados localizados longe de áreas urbanas densas, para isolar fatores externos como indústria e aquecimento residencial. Variações sazonais foram descartadas, entre outros ruídos, para focar no efeito direto das operações.

Os resultados indicam um aumento médio de 1,8 °C na temperatura da superfície nesses locais após a abertura de um centro de dados. Em alguns casos, o salto chegou a 9,1 °C. As alterações foram observadas em diferentes regiões ao redor do mundo.

Entre os casos analisados, a região de Bahío, no México, registrou incremento de cerca de 3,6 °C ao longo de duas décadas, enquanto Aragão, na Espanha, apresentou tendência semelhante, sem paralelos nos arredores. Em conjunto, os pesquisadores destacam que o aquecimento não se restringe às dependências da instalação, estendendo-se até 10 quilômetros.

Os autores ressaltam o potencial de ampliação desse efeito com o crescimento previsto dos centros de dados nos próximos anos, em um contexto de aquecimento global já em curso. A expansão dessas infraestruturas pode influenciar o ambiente, a saúde pública e a economia local, segundo a análise.

Especialistas externos comentaram a pesquisa, ressaltando a necessidade de mais estudos para confirmar os números. Um pesquisador destacou que os valores aparentam ser elevados, enquanto a produção de energia para os data centers permanece como um dos principais públicos de preocupação climática. Ainda assim, o estudo é visto como um ponto de partida para políticas de mitigação.

De acordo com Marinoni, o estudo pode estimular o debate sobre caminhos alternativos na implementação da IA, buscando equilibrar inovação e sustentabilidade. A equipe enfatiza a importância de considerar estratégias que reduzam impactos ambientais sem frear o avanço tecnológico.

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