- Madagascar enfrenta invasão de guava-rosa (fruta strawberry guava), que se espalha com a ajuda de preguiçosas (sifakas) e outros animais ao consumir as frutas.
- Em Ranomafana, estudo de 2024 mostrou que manchas de guava formam monoculturas densas, degradando solo, suprimindo plantas nativas e reduzindo a diversidade de insetos.
- A perda de insetos afeta não apenas os lêmures, mas também aves e tenrecs, prejudicando a cadeia alimentar local.
- A presença de resquícios de visgo de samambaias (visando asEmma?) note: evitar erros. Melhor manter apenas o ponto sobre mistletoes: Em áreas invadidas, não há feito de visgo; várias espécies dependem desses recursos.
- Pesquisas sobre biochar, usadas com sucesso em Maurícia para mitigar efeitos da guava, ainda precisam de avaliação em Madagascar, considerando custos e impactos.
Madagascar enfrenta uma ameaça dupla: a floresta nativa está sob pressão de desmatamento e, ao mesmo tempo, é invadida por goiabeiras exóticas que se espalham rapidamente. Em Ranomafana, estudos mostram como as goiabeiras podem dominar áreas degradadas, prejudicando a riqueza biológica.
O foco é a goiaba-rosa strawberry guava (*Psidium cattleyanum*). Em época de frutificação, lemures escolhem as frutas exóticas em vez das nativas, segundo a bióloga Amy Dunham, da Rice University. A convivência entre a espécie invasora e o lemur é objeto de preocupação.
Durante uma visita a Ranomafana, Dunham filmou um sifaca Milne-Edwards’ (*Propithecus edwardsi*) comendo frutos vermelhos em uma densa toleira de goiaba, ilustrando a captura de benefício temporário para o animal, frente ao dano à floresta.
Em estudo realizado em 2024, ficou claro que as goiabeiras formam: de 30 a 60 hectares de mata degradada com monocultivos densos, que dificultam o recomeço de espécies nativas e reduzem a diversidade de insetos e outros invertebrados.
A queda na diversidade de insetos atinge também aves, morcegos e outros mamíferos. Lemures, aves e tenrecos dependem de alimento proteico obtido de invertebrados para a sobrevivência e reprodução.
Impacto ecológico
As áreas invadidas apresentam resiliência reduzida, com espécies nativas suprimidas e solos com menos nutrientes. Em conjunto, isso compromete a capacidade de regeneração natural da floresta e a oferta de recursos para a fauna.
Estudos sobre o papel das lianas e parásitas indicam que a riqueza de outros recursos também pode cair. Espécies de mistletoe, que ajudam a sustentar várias aves e mamíferos, somem quando há dominância da goiabeira.
Em Ranomafana, pesquisadores liderados por Zo Fenosoa acompanharam a visita de 30 espécies de aves e sete de lêmures a mistletos, destacando o papel dessas plantas como recursos-chave, especialmente em tempos de escassez de alimento.
Guavateros podem também deixar resíduos que dificultam o estabelecimento de novas plantas nativas, dificultando a restauração florestal após eventos climáticos como ciclones.
Caminhos de manejo e possíveis soluções
Em Mauritius, pesquisas mostraram que a aplicação de biochar, feito de resíduos de plantas, reduziu a toxicidade do solo causada pelo allelochemical das goiabeiras e favoreceu o retorno de espécies nativas. O estudo admite limitações de dosagem e custo.
Especialistas destacam que a aplicação em larga escala exige avaliação cuidadosa de impactos em diferentes solos, além da remoção eficaz das goiabeiras, o que implica custo elevado e esforço logístico.
Segundo especialistas, a estratégia ideal envolve identificar áreas com maior probabilidade de responder positivamente ao biochar, associada à remoção direcionada das árvores invasoras para favorecer a restauração da biodiversidade nativa.
Pesquisadores alertam que a recuperação depende de restauração de toda a biodiversidade, começando pelas plantas nativas, com ações coordenadas entre conservação, manejo do solo e apoio a comunidades locais.
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